Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 08/10/2021
O filósofo Leandro Karnal afirma que “o país que não investe em ciência está fadado ao fracasso”. Sem a devida valorização profissional e com os consecutivos cortes de verbas para pesquisa, a maioria dos cientistas do país encontram-se forçados a migrar para o exterior na busca por melhores condições de trabalho. Esse fenômeno interfere não só na independência tecnológica do Brasil, mas também no aumento dos custos com importações de suprimentos tecnológicos.
A pesquisa científica pode ser considerada um bem nacional devido suas diversas contribuições e melhorias na saúde, educação e bem-estar, mas com a evasão de pesquisadores ela tende ao colapso. Nessa perspectiva, é conveniente relembrar a Idade Média, na qual sem o devido estímulo, houveram-se poucos avanços em áreas como a medicina, filosofia e a política, o que levou a um declínio biopsicossocial àquele povo. Sob essa ótica, constata-se que a não valorização de cientistas afeta a produção tecnológica de recursos valiosos para o amparo da comunidade, tal como a produção de medicamentos e de vacinas. Desse modo, tanto a desvalorização do papel do pesquisador, quanto a ausência de iniciativas para favorecer a permanência no Brasil, promovem o aumento dos custos com tratamentos de saúde e impactam a qualidade de vida da comunidade.
Além disso, é evidente que os acentuados cortes de verbas públicas colaboram para o sucateamento de laboratórios, o que estimula o pesquisador migrar para melhores instituições no exterior. Sob esse viés, a série “Love, Death and Robots”, aborda uma realidade alternativa na qual uma raça alienígena promove grandes avanços tecnológicos, mas depois de um tempo migra para outro planeta na busca por melhores recursos, o que afeta o modo de vida daquela população, a qual passa a sofrer com um retrocesso tecnológico e altos custos de vida, ilustrando a fuga de cientistas e o colapso do corpo social. Dessa forma, com os orçamentos reduzidos, os centros de pesquisas cada vez menos são atrativos para pesquisadores, ocorrência que impacta diretamente no poder tecnológico nacional e deixa o Brasil na retaguarda científica quando comparado aos demais países.
Portanto, fica evidente que o Brasil carece de propostas que incentivem o pesquisador a permanecer no país, como boas estruturas de laboratórios e valorização do profissional. Nesse contexto, cabe ao Ministério da Educação promover maiores investimentos financeiros, por meio de melhorias nos fundos de recursos federais destinados ao amparo da pesquisa, estímulo esse que facilita a aquisição de ferramentas mais modernas e estabelece melhores condições de trabalho. Também, cabe ao Poder Legislativo aprovar leis que valorizem mais a carreira do pesquisador brasileiro, mediante a estipulação de um piso salarial condizente com o nível de capacitação do profissional. Encorajando o pesquisador.