Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 19/10/2021
Na obra pré-modernista “Triste fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o major Quaresma, admirador das riquezas oriundas do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. No entanto, ao observar a fuga de cérebros presente no cenário brasileiro, percebe-se que esses obstáculos ainda não foram superados, já que a negligência governamental e a falta de oportunidades potencializam esse entrave.
Em primeiro lugar, é importante destacar os baixos investimentos em ciência e tecnologia como principal desafio no combate à fuga de cérebros na sociedade brasileira. Segundo a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 218, “O Estado promoverá e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa, a capacitação científica e tecnológica, e a inovação”. Assim sendo, mesmo com a presença dessa lei, o governo brasileiro não apoia e não incentiva o desenvolvimento científico. Dessa forma, essa problemática causa um enorme dano à economia e ao desenvolvimento do Brasil. Logo, os profissionais brasileiros, especializados em áreas do mercado de trabalho dotados de um autoconhecimento em seu campo profissional, migram para países desenvolvidos à procura de incentivo e apoio.
Ademais, vale também ressaltar a falta de oportunidades e sua intrínseca relação ao problema. Nesse sentido, essa falta de oportunidades no Brasil, leva os profissionais especializados, buscarem oportunidades de trabalho em outros países. Visto que, nesses países encontrarão melhor remuneração, benefícios, reconhecimento e oportunidade de desenvolver pesquisas. Nesse âmbito, a emigração intelectual coincide com a redução do orçamento do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovações, que perdeu quase metade dos recursos de 2015 para 2016, e vem sofrendo mais cortes desde 2019. Desse modo, a falta de oportunidades fomenta a fuga de cérebros.
Portanto, são necessárias medidas capazes de combater essa problemática. Para isso, compete ao governo, junto com o Ministério da Ciência Tecnologia e Inovações investir em políticas públicas eficientes para superar a emigração de profissionais para países desenvolvidos, oferecendo incentivo e apoio a esses profissionais, como a criação de programas de incentivos à pesquisa científica . Isso deve ser feito por meio de ações governamentais que proponham cumprir o artigo 218 da Constituição Federal, com finalidade de fortalecer a economia e tornar o Brasil desenvolvido. Outrossim, com o apoio e incentivo do governo brasileiro aos profissionais especializados, a falta de oportunidades serão eliminadas. Assim, os desafios no combate à fuga de cerebro, não serão uma realidade brasileira.