Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 20/10/2021

“Ser um cientista é ser ingênuo”, citou o professor Valery Legasov — personagem da série Chernobyl, de 2019. Contextualizando para a realidade brasileira, ser alguém que pesquisa no Brasil é ignorar, ao máximo, todos os empecilhos que prejudicam o fazer da ciência. No entanto, não são todos que conseguem ficar alheios à situação, e assim procuram melhores condições em outros países. Dessa forma, são necessárias maneiras para mitigar os desafios no combate à fuga de cérebros no país.

De fato, ser pesquisador no território tupiniquim é demasiado desafiador. De acordo com os dados do Portal de Notícias G1, o governo federal sancionou a retirada de mais de R$ 600 milhões de verba para a ciência e a pesquisa — o que prejudica o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Assim, milhares de alunos de iniciação científica perderão suas bolsas ,e pesquisas em andamento serão lesadas.

Por conseguinte, ocorre a fuga de cérebros do Brasil. Não obstante, as universidades e centros de pesquisa acabam por ser sucateados — e, por não possuírem infraestrutura suficiente para a pesquisa, os cientistas são incentivados a buscarem melhores condições de trabalho fora de seu país. Para Bertholdt Brecht, dramaturgo alemão, a ciência conhece apenas um único comando: contribuir com a ciência. Logo, se a ciência não encontra uma forma de contribuição em seu lugar de origem, ela foge.

Portanto, são necessárias formas de mitigar os problemas citados. Dessa maneira, o governo federal — através do Ministério de Ciência e Tecnologia — deve aumentar os investimentos na área da pesquisa, a tirar verba de, pelo menos, 2% do Produto Interno Bruto e, desse modo, evitar que bolsas sejam perdidas e que haja sucateamento dos centros tecno-científicos; consequentemente, haverá a diminuição na evasão de cientistas do país. Ademais, o CNPq deve aumentar o número de bolsas — com maior remuneração — para que se atraia mais pessoas ao meio científico e o Brasil possa manter seus pesquisadores residentes. Nessa conjuntura, o cientista brasileiro poderá voltar a ser ingênuo e se concentrar apenas e sua pesquisa.