Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 21/10/2021
Em sua obra “Por outra globalização”, Milton Santos, geógrafo, expõe incongruências nas implicações práticas da globalização. Em meio ao caráter desigual de sua 4ª fase, o autor enfatiza a necessidade de criar um novo fenômeno que cesse a violação da autonomia econômico-social nacional. Hodiernamente, no entanto, tal preceito ainda é violado quando se observa os desafios do combate à fuga de cérebros no contexto brasileiro, um empecilho ao fortalecimento do IDH federal. É mister, por isso, relacionar sua ocorrência à inflação e à inequipolência regional.
Convém ressaltar, destarte, que, no Brasil, os sufocantes custos de vida estimulam a emigração de profissionais capacitados em massa para países não somente com amplos investimentos acadêmicos, mas também detentores de uma moeda forte. Sob essa ótica, seria imprudente não reconhecer o papel da colossal carga tributária pública em dificultar a abertura de empresas de bens de consumo - criadoras de oferta equivalente ao exponencial crescimento populacional -, o que, em última medida, acarreta no aumento inflacionário de uma miríade de mercadorias. Nesse sentido, segundo o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Tributação (IBPT), as corporações levam, na nação, cerca de 2000 horas anuais para vencer a cotação de impostos. Assim, a negligência da máquina estatal leva, lamentavelmente, à evasão de valiosas mentes, as quais partem em busca de um padrão de vida superior.
Verifica-se, outrossim, a influência de matrizes históricas na estagnação do rendimento das faculdades nacionais. Em vista da concentração de investimentos do governo na porção sul do país - motivada pela alta do café e pela instalação da família Bragança no Rio de Janeiro -, a infraestrutura em regiões subdesenvolvidas ao norte passou por um lento processo de atrofiamento. Nesse viés, retrocessos inerentes a tal inoperância adquirem expressividade no número de centros de ensino superior que pecam tanto em insalubridade, quanto no baixo emprego de artifícios didáticos tecnológicos - como slides -, o que reduz a qualidade de ensino. Logo, uma gama de estudantes promissores interioranos é inclusa em constante determinismo geográfico, no qual a carência de recursos tão essenciais à integração acadêmica condiciona a busca por oportunidades de estudo extranacionais.
O Estado deve, portanto, combater a fuga de cérebros. Dessa forma, urge que o Ministério da Educação - órgão distribuidor de recursos ao cenário educacional brasileiro - crie, por meio de verbas governamentais, palestras escolares acerca da temática, a fim de relacioná-la à inflação. Ademais, cabe ao IBGE a renovação de dados que tangem à desigualdade regional, com o fito de evidenciar suas reais proporções. Somente assim as aspirações santosianas serão concretizadas.