Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 04/11/2021
O Vale do Silício, polo tecnológico dos EUA, absorve mão de obra especializada tanto local como estrangeiro. Por outro lado, o Brasil, embora produza conhecimento, configura-se somente como exportador intelectual para países desenvolvidos. Nesse sentido, a baixa capacidade de absorver trabalhadores especializados e a inexpressiva participação brasileira na produção tecnológica mundial colaboram com esse cenário.
No que concerne à problemática, o Brasil é, historicamente, incapaz de empregar no setor de alta produção tecnológica. Nesse viés, ao analisar o Tratado de Methuen, acordado entre a Inglaterra e o Brasil Colonial, no qual o país britânico tinha monopólio para produtos da indústria têxtil para a colônia, percebe-se que uma postura de desinteresse com o setor industrial nacional tem suas raízes na formação do país e ainda se expressa hodernamente. Nesse cenário, profissionais, como engenheiros, são obrigados a exercerem funções fora de sua área de atuação, como serviços de táxi e, consequentemente, muitos desses indivíduos migram para outros países em busca de emprego.
Além disso, o Brasil possui inexpressiva participação na produção de tecnologia de ponta no mercado mundial. Por esse espectro, confirme-se novamente a reprodução do comportamento do passado no país, visto que, desde muito tempo, a exportação nacional caracterizou-se por bens primários, como o açúcar na época colonial e, atualmente, a soja. Nesse contexto, a migração para países com indústria forte se eleva, como aplicar dados divulgados pela Receita Federal, no qual entre 2015 e 2019 aumentou-se expressivamente a emigração. Como consequência, o país perde ainda mais capacidade produtiva de tecnologia de ponta.
Fica evidente, portanto, que a falta de indústria de ponta no Brasil causa a fuga de trabalhadores especializados. Nesse cenário, é fundamental que o Ministério da Tecnologia, aliado ao da Economia, permita a introdução do Brasil no mercado tecnológico, por meio de fomento à indústria nacional de ponta, com verbas federais, além de garantir cotas e vagas nesse setor aos recém-formados no país, de modo a impulsionar e permitir a participação brasileira nesse mercado global. Sendo assim, é possível, portanto, criar polos tecnológicos brasileiros, bem como o Vale do Silício nos Estados Unidos