Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 15/11/2021

A Terceira Revolução Industrial, também conhecida como Revolução Técnico-Científica-Informacional, possibilitou avanços científicos e econômicos para uma significativa quantidade de países. O desenvolvimento alcançado com esse período intensificou a busca por pesquisadores cada vez mais qualificados como forma de promover crescimento econômico, por meio de pioneirismo científico e inovação. Nesse contexto, países como os Estados Unidos atraem os especialistas competentes que deixam seu país de origem em busca de infraestrutura de qualidade e apoio financeiro, o que acarreta o fenômeno conhecido como fuga de cérebros. No Brasil, esse é um problema crescente, causado não somente pelo baixo investimento estatal e pela falta de infraestrutura, como também pela desvalorização social.

Nesse sentido, entende-se que a evasão dos especialistas brasileiros ocorre em decorrência do investimento estatal insuficiente e da infraestrutura precária oferecida. A neurocientista Suzana Herculano-Houzel, após ter suas descobertas publicadas em artigos na revista Science recebeu uma proposta de emprego no exterior e decidiu deixar o Brasil, ademais, salientou os desafios enfrentados pelos cientistas brasileiros. Ela relatou, em entrevista à revista Época, a revoltante necessidade de realizar investimentos pessoais para assegurar o funcionamento do laboratório em que trabalhou. O descaso governamental evidenciado em situações como essa, desestimula os pesquisadores e ocasiona pesquisas de baixa qualidade, fatores que influenciam em sua saída do país.

Além disso, a desvalorização social da ciência  por grande parte da população provoca desânimo nos cientistas e representa mais um motivo para a sua partida do país. A hierarquia das necessidades do psicólogo Abraham H. Maslow, pretende descrever a busca pela satisfação pessoal através da conquista de níveis de necessidades, desde os fisiológicos até os mais amplos, e uma vez preenchido um nível mais baixo o indivíduo busca preeencher o próximo. À luz de tal teoria, assume-se que os pesquisadores buscam a satisfação pela conquista da valorização social e estabilidade financeira.

Em suma, torna-se necessária ação estatal para atenuar essa problemática. Nesse contexto, cabe ao Estado firmar parcerias com iniciativas privadas através de incentivos fiscais,como a realizada pela Universidade de Brasília, a fim de fornecer infraestrutura de qualidade para realização de pesquisas científicas. Além disso, cabe ao Ministério da Educação promover eventos em ambiente escolar e comunitário que relembrem descobertas através da pesquisa científica, com a finalidade de informar a população sobre a importância da valorização da ciência e especialistas. Espera-se, desse modo, que o combate à fuga de cérebros seja efetivado.