Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 14/05/2022
Nesse cenário, é fundamental que o Ministério da Tecnologia, aliado ao da Economia, permita a introdução do Brasil no mercado tecnológico, por meio da indústria nacional de ponta, com verbas federais, além de garantir cotas e vagas nesse setor aos recém-formados no país, de modo a impulsionar e permitir a participação brasileira nesse concorrido mercado global. Ao analisar o Tratado de Methuen, acordado entre Inglaterra e o Brasil Colonial, no qual o país britânico tinha monopólio para escoar produtos da indústria têxtil para a colônia, percebe-se que a postura de desinteresse com o setor industrial nacional tem suas raízes na formação do país e ainda se expressa hodiernamente.
Nesse sentido, a baixa capacidade de absorver trabalhadores especializados e a inexpressiva participação brasileira na produção tecnológica mundial colaboram com esse cenário. Por esse aspecto, confirma-se novamente a reprodução de comportamentos do passado no país, visto que, desde muito tempo, a exportação nacional caracterizou-se por bens primários, como o açúcar na época colonial e, atualmente, a soja.
Além disso, o Brasil possui inexpressiva participação na produção de tecnologia de ponta no mercado mundial. Nesse cenário, profissionais, como engenheiros, são obrigados a exercerem funções fora de sua área de atuação, como serviços de táxi e, consequentemente, muitos desses indivíduos migram para outros países em busca de emprego. Nesse contexto, a migração para países com indústria forte se eleva, como mostraram dados divulgados pela Receita Federal, no qual entre 2015 e 2019 aumentou-se expressivamente a emigração. Fica evidente, portanto, que a falta de indústria de ponta no Brasil causa a fuga de trabalhadores especializados. No que concerne à problemática, o Brasil é, historicamente, incapaz de empregar no setor de alta produção tecnológica.