Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 15/07/2022

Celina Turchi.Nise de Silveira. Carlos Chagas. Essa enumeração evidência diversos cientistas que apesar de terem feito grandes descobertas para o mundo, não obtiveram o reconhecimento no seu território de origem, isto é, o Brasil. Isso por que, infelizmente, a educação, sobretudo, a ciência, é diariamente negligenciada pelo Estado. Assim, é válido ressaltar que, dentre outros, a “fuga de cérebros” é um reflexo do pouco investimento no conhecimento, em infraestrutura e em bolsas. O que, a longo prazo irá impactar negativamente todos os cidadãos.

Nesse sentido, é importante afirmar que o corte de verba e a precarização na logística e na infraestrutura resultam no êxodo de talentos. De acordo com isso, Dayson Friaça, depõe para a “Gazeta do povo” e fala: “Aqui se eu comprar um reagente pode demorar no máximo uma semana para chegar. No Brasil, o mesmo reagente pode demorar mais de um mês”. Dessa forma, a fala desse pesquisador que hoje trabalha em outro país, diz muito sobre a realidade da ciência brasileira. Uma vez que, a falta de recursos, a demora para conseguir concluir as etapas do estudo e o descrédito nos projetos inviabilizam o desenvolvimento desses projetos e repulsam os talentos. Logo, essa diáspora compromete o crescimento do país e aumenta os desafios das gerações futuras.

Outrossim, a evasão de profissionais altamente qualificados vai gerar impactos a curto e a longo prazo para a sociedade. Visto que, descobrimento de doenças, de vacinas e de curas, estes que salvam vidas, são resultados de pesquisas e do “Investimento Capital Humano”, termo designado por Theodore Schultz, que é a capacidade do conhecimento e atributos pessoais em gerar valor econômico. Por esse viés, a falta de investimentos nesse “capital humano” fará com que o Brasil encontre mais desafios para o crescimento socioeconômico, bem como ser dependente da tecnologia externa.

Portanto, o Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio de parcerias com a agência pública Financiadora de Estudos e Projetos, restaure e amplie as verbas destinadas à comunidade ciêntifíca, a fim de oferecer uma infraestrutura de excelência e atrativos para a permanência dos pesquisadores no país. Desse modo, o reconhecimento desses “cérebros” será uma realidade e não a evasão.