Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 11/09/2022
A fuga de cérebros é um fenômeno caracterizado pela migração de profissionais qualificados em direção a países que oferecem melhores condições de vida e em-
prego. No Brasil, país em que a ciência é pouco estimulada e os salários e planos de carreira para diversas profissões são inferiores aos oferecidos em Estados de-
senvolvidos, nota-se o acontecimento crescente da fuga de cérebros. Nesse cená-
rio preocupante, é válido afirmar que a saída de trabalhadores qualificados do país retarda o desenvolvimento social e desvaloriza a profissionalização dos jovens.
Em primeira instância, é importante destacar que o pouco auxílio governamental à ciência contribuiu para o êxodo dos profissionais qualificados. De acordo com um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em 2021, menos de 2% do produto interno bruto do país foi investido na ciência. Esse baixo investimento ocorre em razão do não reconhecimento da importância da pesquisa e desenvol-
vimento para o crescimento econômico e social do Brasil por parte do poder públi-
co. Como resultado disso, o Brasil deixa de realizar inovações no campo da saúde e da tecnologia, contribuindo para a fuga dos profissionais qualificados para países que estão promovendo avanços científicos e reconhecendo o valor da ciência. Por-
tanto, é fundamental o investimento estatal para a contenção da fuga de cérebros.
Além disso, cabe ressaltar que as carreiras e os salários pouco atrativos ofereci-
dos no Brasil estão relacionados à fuga de cérebros. Segundo o Censo Demográfico
de 2010, quase 50% dos jovens brasileiros consideravam migrar para outros países em busca de melhores condições de emprego. Esse dado revela que, em razão dos salários inferiores e dos planos de carreira inatrativos, a mão de obra brasileira prefere realizar suas atividades em outros países. Consequentemente, a economia brasileira sofre uma retração e os jovens que não têm condições para sair do Brasil percebem a especialização e a profissionalização como algo não tão benéfico.
Desse modo, é fundamental a tomada de medidas que reduzam a fuga de cére-
bros. Por isso, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia ampliar os recursos ofe-
recidos para pesquisa e desenvolvimento. Essa ampliação das finanças deve ser realizada por meio de um envio maior dos impostos recolhidos à ciência a fim de elevar as condições de trabalho dos cientistas, oferecendo salários melhores.