Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 19/10/2022

“Fuga de cérebro” consiste na migração de um contingente populacional de um país para outro, objetivando, em primeiro plano, o aprimoramento dos estudos científicos. No contexto brasileiro, o país apresenta desafios a vencer para diminuir a evasão das “mentes brilhantes”, tais como combater a falta de incentivo acadêmico e otimizar a qualidade de vida da população.

Inicialmente, cabe pontuar que mesmo a Constituição Federal afirmando, em seu artigo 205, que a educação é um dever do Estado e que esse deve prover também com o incentivo a pesquisa científica, a realidade das instituições de ensino superior apresentam uma versão divergente do texto constitucional. Nesse sentido, é comum os noticiários televisivos denunciarem as condições precárias do ambiente voltado para a pesquisa científica no Brasil, pontuando a ausência de incentivo, laboratórios desestruturados, vagas reduzidas, dentre outras questões, o que gera um contexto oportunista para nações que buscam por pesquisadores, visto que a oferta de condições melhores pode atrair estudantes brasileiros. Prova disso, é que segundo o jornal “Correio Braziliense” cerca de 80% da verba destinada ao Ministério da Ciência e Tecnologia foi suspensa no ano de 2021.

Ademais, outro fator que incentiva tal movimento migratório e necessita ser combatido, é o ideal de uma otimização da qualidade de vida ao deslocar-se para outros países. Por esse viés, cabe pontuar que não é apenas no quesito educacional que a Carta Magna diverge da realidade, o país enfrenta dificuldades nos setores da saúde, segurança e infraestrutura, por exemplo, o que incentiva o público pesquisador a observar em outros países não só uma oportunidade acadêmica, mas também uma ascensão na condição social. Alinha-se ao exposto a publicação no periódico “O Tempo” que relatou um aumento de 40% da “evasão de cérebros” no Brasil motivados por uma busca de melhor qualidade de vida durante o governo do presidente Bolsonaro.

Portanto, frente ao exposto, é fundamental uma intervenção que tenha como agente o Ministério da Educação, atuando em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia por meio de uma política pública que objetive a capacitação e garantia ao estudante voltado para esse ramo.