Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 24/10/2022

O termo brain drain, ou fuga de cérebros, refere-se a saída de profissionais qualificados de seu local de origem a fim de buscar oportunidades mais promissoras em outros locais. Pouco a pouco, o termo tem ganhado seu espaço nas manchetes jornalísticas no Brasil. Segundo o jornal O Tempo, com dados do Departamento de Imigração norte-americano, o número de solicitações de vistos por profissionais brasileiros aumentou 40% durante o governo de Jair Bolsonaro, o que evidencia o fenômeno dentro do país. Mas o que justifica esse número crescente?

Segundo a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, autora de mais de 45 artigos científicos, a sociedade brasileira está dominada por uma visão terrível que desestimula a ciência e a inovação, assim como desperdiça recursos e não fornece meios para a evolução da ciência. Sob esse viés, a redução de investimentos em ciência e pesquisa é um dos principais obstáculos para a atuação e manutenção de profissionais qualificados no Brasil. Segundo dados da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), os recursos destinados a produção científica brasileira caíram mais de 30% nos últimos anos, levando muitos pesquisadores a abandonarem suas pesquisas devido à falta de condições financeiras para a sua continuidade.

Como consequência disso, uma grande gama de profissionais brasileiros é atraída por melhores condições oferecidas em outros países, especialmente aqueles caracterizados por uma alta taxa de importação de profissionais, como os Estados Unidos, o Canadá e a Alemanha. Dessa forma, o Brasil perde mão de obra especializada, o que pode ocasionar em maiores custos na aquisição de novas tecnologias que poderiam ser desenvolvidas localmente.

Portanto, cabe ao Estado atuar, por meio dos poderes legislativo e executivo, em um melhor direcionamento de mais recursos do orçamento nacional para fomentar a pesquisa no país, permitindo que profissionais especializados tenham melhor remuneração e condições de levarem a cabo suas pesquisas no país. Assim, o Brasil poderá conter a fuga de cérebros e, por conseguinte, promover o desenvolvimento tecnológico nacional.