Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 19/08/2025

Em sua obra “O cidadão de papel” o celébre autor Gilberto Dimenstein disserta acerca da inefetividade do Estado perante as mazelas presentes no corpo social afirmando a inexistência dos direitos civis na prática. Diante disso, a conjuntura dessa análise configura-se no Brasil atual, haja vista o desigual acesso a produtos de higiene femininos, perpetuando assim, a pobreza menstrual no país. Em razão disso, urge a análise da insuficiência de politicas públicas e a carência de debates como fatores agravantes.

A principio, é essencial compreender a desassistência do poder público no agravamento do obstáculo. Nesse sentido, consoante ao filósofo polonês Zygmunt Bauman, as “instituições zumbis” são entidades governamentais que não agem em totalidade no exercício de suas funções designadas. Sob à lógica do pensador, é possível atribuir o termo “zumbi” ao Estado pois como principal instituição governamental brasileira, a sua postura em relação à pobreza menstrual é omissa, haja vista a ausência de políticas públicas que assegurem a distribuição equitativa de itens de higiene menstrual - como os absorventes. Logo, a indiferença governamental referente à problemática reflete na qualidade de vida da população brasileira.

Ademais, é licito postular a permanência da pobreza menstrual como um reflexo direto da desigualdade. Conforme teorizado pelo filósofo Arististóteles em seu llivro “A política”, a participação civil é essencial na formação da democracia de uma Nação. Entretanto, nota-se na realidade hodierna brasileira o impedimento do exercício da cidadania de mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica, uma vez que o precário acesso a itens de higiene impossibilita a presença de tais em salas de aula e a realização do labor - expondo assim, a dessasistência advinda da desigualdade. Assim, torna-se evidente a exclusão social decorrida do negligênciamento do obstáculo em território nacional.