Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 19/09/2025
No romance “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, é narrado a invisibilidade social à qual é exposta a personagem Macabéa. Sob esse prisma, a trajetória da persona literária evidencia a privação de direitos sociais básicos, como o acesso à saúde e higiene pessoal, assim como a naturalização da violência estrutural. Para além da ficção, é fato que a realidade retratada se manifesta de maneira semelhante na vida de milhões de brasileiras, principalmente quando se refere ao fenômeno da pobreza menstrual e sua inobservância no país. Em razão disso, deve-se discutir o fator social e a negligência governamental.
Em um primeiro momento, é necessário entender a relação sociocultural e suas implicações na temática. De acordo com Pierre Bourdieu, “Não há democracia efetiva sem um verdadeiro crítico”. Sob esse viés, a passividade de reflexão crítica do brasiliano quando referente à promoção da dignidade menstrual, objetivando a garantia de direitos fundamentais como água potável, saneamento básico, educação popular de saúde e distribuição adequada de protetores menstruais, afirma como a nação brasileira destoa do progresso bourdieusiano. Em decorrência disso, torna-se habitual a marginalização dessa parcela social, de modo que, a violência contra os mais vulneráveis se perpetua sem contestação.
Ademais, é notório o impacto da ineficiência estatal em relação à elaboração de políticas públicas para se opor à pobreza menstrual. Assim, na perspectiva de Hannah Arendt, a banalidade do mal se manifesta na omissão institucional, permitindo que injustiças sejam reforçadas. À luz disso, a inércia governamental voltada à carência menstrual não se limita apenas à falta de produtos, mas impede a possibilidade de usufruir da igualdade de oportunidades e a participação plena na vida social e escolar. Por conseguinte, consolidam-se disparidades de gênero.
Entende-se, portanto, a temática sendo um problema intrínseco de raízes culturais e legislativas. Logo, o Governo Federal, por meio de intermédio midiático, deverá, em horário nobre, desenvolver propagandas televisivas direcionadas a toda a sociedade, para delinear sobre a importância da saúde menstrual e reduzir tabus, promovendo a igualdade de inclusão social. Por fim, observa-se-á o progresso social concretizado no Brasil.