Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 15/06/2026
A pobreza menstrual é o nome utilizado para se referir à situação daquela parcela da população que não possui acesso aos itens básicos de higiene necessários du-rante esse período. Sabendo disso, é inaceitável que essa problemática persista no território brasileiro. Logo, tal questão é causada pela falta de informação e pela desigualdade social.
Primeiramente, a desinformação reforça o problema. Partindo dessa lógica, a série animada Big Mouth retrata os efeitos da puberdade no desenvolvimento socioe-mocional dos jovens que não recebem a instrução adequada durante esse momen-to. Analogamente, parte da sociedade brasileira passa por essa fase sem conhecer o suficiente o próprio corpo e, consequentemente, os cuidados higiênicos necessá-rios durante o fluxo. Dessa forma, torna-se evidente que a carência menstrual, as-sim como é retratado na animação, tem como um dos responsáveis a falta de orientações essenciais para garantir o bem-estar durante o período.
Outrossim, as disparidades socioeconômicas colaboram na manutenção do impas-se. Acerca disso, o escritor Achille Mbembe formulou a teoria da Necropolítica, em que afirma que o Estado negligencia as necessidades de grupos vulneráveis e isso perpetua a exclusão social. Sob esse prisma, a análise do autor faz-se condizente com a dificuldade enfrentada pelas pessoas que menstruam e não possuem acesso aos recursos básicos para manter sua saúde durante essa época, uma vez que essas, na maioria dos casos, precisam se ausentar de atividades cotidianas, como ir ao trabalho ou à escola, pela falta de tais produtos de higiene indispensáveis.
Em suma, a pobreza menstrual é causada pela falta de informação e pela desigual-dade social. Então, é dever do Ministério da Saúde distribuir itens de higiene mens-trual, como, por exemplo, absorventes externos e internos ou coletores, em unida-des básicas de saúde por meio da criação de programas voltados para a saúde menstrual para garantir a dignidade e o bem-estar da população durante o ciclo. Além disso, o governo deve inserir educação sexual no currículo do ensino básico para que os jovens se mantenham cientes da importância dos cuidados durante essa etapa da vida.