Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 21/09/2026
A pobreza menstrual é o nome utilizado para tipificar a situação da parcela da po-pulação que possui condições precárias de higiene e falta de informação e de apoi-o durante esse período. Sabendo disso, é inaceitável que essa problemática persis-ta no território brasileiro, haja vista que essa é causada pela ausência de instrução adequada e pela desigualdade social.
Sob esse viés, a carência de conhecimento reforça o problema. Partindo dessa ló-gica, a série animada “Big Mouth” retrata os efeitos da puberdade na evolução so-cioemocional dos jovens que não recebem o auxílio adequado durante essa fase. Analogamente, parte das meninas do país passam por esse momento sem conhe-cer o suficiente sobre sua biologia e sobre os cuidados higiênicos necessários du-rante o fluxo. Consequentemente, a insuficiência do ensino sobre o desenvolvi-mento do corpo feminino torna as garotas alheias aos cuidados essenciais com o próprio corpo, podendo gerar problemas na saúde delas, pois o sangue acumulado pode ocasionar infecções genitais e a proliferação de bactérias e fungos na região.
Outrossim, as disparidades socioeconômicas colaboram para a manutenção do impasse. Acerca disso, o escritor Achille Mbembe formulou a teoria da Necropolíti-ca, em que afirma que o Estado negligencia as necessidades de grupos vulneráveis e isso perpetua a exclusão social. Sob esse prisma, a análise do autor é condizente com a dificuldade enfrentada pelas pessoas que menstruam e não possuem acesso aos recursos básicos para manter sua saúde durante essa época, uma vez que elas, na maioria dos casos, precisam se ausentar de atividades cotidianas, como ir ao trabalho ou à escola, pela falta de tais produtos de higiene indispensáveis. Portan-to, a privação que essas cidadãs sofrem durante o ciclo menstrual dificulta a ascen-são social desses grupos marginalizados, reforçando a sua exclusão.
Em suma, é indispensável reduzir a pobreza menstrual no Brasil. Então, é dever do Ministério da Saúde distribuir itens de higiene essenciais, como, por exemplo, cole-tores e absorventes, em unidades básicas de saúde, por meio da criação de progra-mas voltados para a saúde menstrual, para garantir a dignidade e o bem-estar da população durante o ciclo. Ademais, o governo deve inserir educação sexual no currículo do ensino básico, para elucidar os jovens sobre sua saúde nessa fase.