Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 22/09/2026

A pobreza menstrual é o nome utilizado para tipificar a situação da parcela da po-pulação que vive em condições precárias de higiene e falta de apoio e de informa-ção durante esse período. Sabendo disso, é inaceitável que essa problemática per-sista no território brasileiro, haja vista que é causada pela ausência de instrução a-dequada e pela desigualdade social.

Sob esse viés, a carência de conhecimento reforça o problema. Partindo dessa ló-gica, a série animada “Big Mouth” retrata os efeitos da puberdade na evolução so-cioemocional dos jovens que não recebem o auxílio adequado durante essa fase. Analogamente, parte das meninas do país passam por esse momento sem conhe-cer o suficiente sobre sua biologia e sobre os cuidados higiênicos necessários du-rante o fluxo. Consequentemente, a insuficiência do ensino sobre o desenvolvi-mento do corpo feminino torna as garotas alheias aos cuidados essenciais com o próprio corpo, podendo gerar problemas na saúde delas, pois o sangue acumulado pode ocasionar infecções genitais e a proliferação de bactérias e fungos na região.

Outrossim, as disparidades socioeconômicas colaboram para a manutenção do impasse. Acerca disso, o escritor Achille Mbembe formulou a teoria da Necropolíti-ca, em que afirma que o Estado negligencia as necessidades de grupos vulneráveis, e isso perpetua a exclusão social. Sob esse prisma, a análise do autor é condizente com a dificuldade enfrentada pelas pessoas que menstruam e não possuem aces-so aos recursos básicos para manter sua saúde durante essa época, uma vez que elas, na maioria dos casos, precisam se ausentar de atividades cotidianas, como ir ao trabalho ou à escola, pela falta de tais produtos indispensáveis de higiene. Por-tanto, a privação que essas cidadãs sofrem durante o ciclo menstrual dificulta a as-censão social desses grupos marginalizados, reforçando a sua exclusão.

Em suma, é indispensável reduzir a pobreza menstrual no Brasil. Então, é dever do Ministério da Saúde distribuir itens de higiene essenciais, como, por exemplo, coletores e absorventes, em unidades básicas de saúde, por meio da criação de programas voltados para a saúde menstrual, para garantir a dignidade e o bem-es-tar da população durante o ciclo. Ademais, o governo deve inserir educação sexual no currículo do ensino básico para que os jovens aprendam sobre sua saúde.