Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 25/08/2021

No ano de 2021, com a compreensão do agravamento da pobreza menstrual no Brasil durante o cenário pandêmico, a marca Always se responsabilizou por doar milhões de absorventes a diversos programas que atuam para amenizar a situação e tornar possível o acesso de cada vez mais mulheres a esse item de higiene básica. Como a própria marca aponta, uma a cada quatro brasileiras sofre em ter que evitar certas roupas e ambientes durante o período menstrual pela falta de acesso aos absorventes, expostas ao improviso com itens inapropriados para a situação e região de aplicação. Nesse sentido, observa-se um delicado problema que tem como causas a elitização e a ineficácia governamental.

Dessa forma, em primeira análise, a desigualdade é um desafio presente no problema. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil é, atualmente, o sétimo país mais desigual do mundo. Tal disparidade é nítida em relação à pobreza menstrual enfrentada no país, já que, por estarem sob uma condição de falta de acesso a chuveiros, água encanada e/ou por não possuírem condições econômicas de adquirir um pacote - ou mais - de absorventes por mês, certos grupos de mulheres ficam expostas a problemas nunca enfrentados - e, muitas vezes, sequer vistos - por outras com melhores condições financeiras e de vida. Assim, eliminar a disparidade de acesso é fundamental para resolver a questão.

Em paralelo, a ineficiência partida do governo é um entrave no que tange à questão. Para Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, tal responsabilidade não está sendo honrada quanto à falta de condições de lidar com as situações ocorridas durante o período menstrual, visto que diversas meninas e mulheres vêm sido expostas a situações degradantes e humilhantes pela falta de acesso a um item de higiene básica de extrema necessidade, tendo de recorrer a meios alternativos incorretos ou a doações de terceiros para que suas vidas e compromissos não sejam excessivamente atrapalhados por esse fator. Ou seja, para que tal bem-estar seja usufruído, o Estado precisa sair da inércia na qual se encontra. Portanto, é imperativo agir sobre o problema.

Para isso, o Ministério da Saúde deve passar a distribuir absorventes gratuitamente nos postos de saúde - como já é feito com as camisinhas - para que as mulheres do país não precisem se preocupar com a aquisição desse produto que, apesar de possuir extrema importância para a higiêne básica, possui um valor muito elevado de consumo, distante da realidade e do poder aquisitivo baixo de muitas. Tal ação pode, ainda, contar com a distribuição de absorventes nas escolas do país. Paralelamente, é preciso intervir sobre a elitização presente no problema. Consequentemente, menos mulheres e meninas estarão expostas às privações impostas pela pobreza menstrual no Brasil.