Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 25/08/2021

Em 1946, a empresa de filmes e séries Disney lançou um curta-metragem sobre como funcionam as menstruações, o qual tinha um caráter educativo e era passado nas escolas. Nesse sentido, infelizmente, o Brasil sofre com a pobreza menstrual e enfrenta complicações, como a falta de disponibilidade de equipamentos para a higiene corporal e, também, a precária educação sexual nas escolas.

Primeiramente, é fato de que o acesso à higiene no Brasil não é fácil para toda a população. Isso se ilustra por dados apresentados pelo levantamento da Unicef, que dizem que aproximadamente meio milhão de meninas não têm acesso aos itens básicos de “limpeza”, como absorventes ou água limpa. Com a falta de higiene, uma pessoa com útero pode menstruar e, ao não se limpar corretamente, contrair algum tipo de infecção. Além disso, muitos lugares públicos não dispõe de itens de higiene gratuitos em seus banheiros, fato que, caso acontecesse, seria extremamente benéfico para as mulheres que não têm acesso aos utensílios para limpeza corporal.

Ademais, uma outra dificuldade enfrentada é a falta do ensino sexual nas escolas. Por exemplo, na série “Sex Education”, disponível na plataforma Netflix, os alunos não tinham coragem de conversar com a psicóloga da escola sobre relações e cuidados sexuais, pois isso ainda é um “tabu” atualmente, mesmo com a maior disponibilidade de informações. Trazendo isso para o Brasil, são pouquíssimas escolas que oferecem a educação sexual para os seus estudantes e isso acontece devido a falta de interesse dos alunos em conversar sobre um assunto “vergonhoso” e, também, pela falta de profissionais nessa área atuando nas escolas. Ou seja, com a falta desse ensino, muitas meninas não sabem o motivo de a menstruação acontecer e nem como se cuidar durante seu período menstrual.

Portanto, é evidente que o Brasil sofre com a pobreza menstrual e enfrenta desafios, como a não disponibilidade de utensílios para o cuidado para o período menstrual e a falta de ensino sexual. Para amenizar o problema, as equipes de locais públicos, como restaurantes, baladas e shoppings, devem disponibilizar em seus banheiros utensílios para a higiene feminina, os quais trarão benefícios para o cuidado íntimo das mulheres. Assim, as pessoas que passam por períodos menstruais terão mais acesso à limpeza corporal, dificultando a chance de contraírem alguma infecção. Além disso, o Ministério da Educação deve disponibilizar uma grade horária escolar que contenha aulas de educação sexual em todos os colégios, fornecendo profissionais especializados na área e equipamentos para ilustrar melhor o assunto para os alunos. Com isso, as estudantes saberão como se cuidar durante a sua menstruação e conversar sobre cuidados e relações sexuais deixará de ser um “tabu” tão grande.