Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 10/10/2021

Em sua obra “Ensaio sobre a Cegueira”, o escritor José Saramago ressalta a importância de ter olhos quando todos os perdem. Sob essa ótica, nota-se uma espécie de cegueira social que impede os indivíduos de enxergarem problemas, como a pobreza menstrual no Brasil. Nesse sentido, a desigualdade social aliada com a negligência governamental, potencializa essa problemática. Desse modo, são prementes discussões acerca dos impactos dessa patologia social no país.

Em primeira análise, a pobreza menstrual é resultado da desigualdade social. Nesse contexto, segundo a Primeira Lei de Newton conhecida como o Princípio da Inércia, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da física, é evidente a mesma condição no que se concerne aos abismos sociais, a qual segue sem uma “força” capaz de resolver essa questão. Sob esse prisma, muitas mulheres e adolescentes não têm acesso a higiene básica, pois não possuem condições financeiras de comprar um absorvente, por exemplo. Assim, centenas de milhares vivem na extrema pobreza sob condições desumanas, sem ter o que comer e onde morar.

Outrossim, a negligência governamental contribui para essa situação no Brasil. Nessa perspectiva, em sua obra “Utopia”, o escritor inglês Thomas Morus retrata uma sociedade perfeita, na qual não havia conflitos e problemas. Em contrapartida, no corpo social brasileiro, questões como a inadvertência governamental mostram-se obstáculos para a cristalização da realidade descrita por More. Nesse viés, o presidente da república vetou a distribuição gratuita de absorventes no dia sete de outubro de dois mil e vinte um. Posto a isso, muitas mulheres não vão ter acesso a esse utensílio de higiene, comprometendo a vida de muitos brasileiros além de prejudicar a imagem do Brasil no âmbito internacional.

Diante dos fatos supracitados, a pobreza menstrual no Brasil é resultado da desigualdade social aliado com a negligência do governo Bolsonaro. Diante disso, é imperioso que o Ministério da Saúde promova seminários, por meio de palestras online em suas plataformas digitais, a respeito da importância desse tema, além de que todo indivíduo tem o direito à dignidade humana, como diz na Constituição Federal do Brasil. Dessa maneira, essa ação poderá ser a “força” capaz de resolver essa questão, a fim de reverter essa situação dramática no país.