Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 27/09/2021
Desde os tempos remotos, a menstruação é vista de forma negativa pelo povo, o que torna esse assunto da saúde feminina um tabu na maioria das comunidades. Nesse contexto, percebe-se que muitas mulheres inserem-se na realidade de pobreza menstrual. Isso ocorre seja pela desigualdade social, seja pela inatividade da população. Dessa forma, é necessário que essa chaga social seja resolvida, a fim de que esse tabu não mais reflita o cenário atual da nação.
Sob essa perspectiva, é válido citar que as diferenças estamentais são fatores agravantes da crise da saúde feminina em questão. Segundo a pesquisa realizada pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil é a nona nação mais desigual do mundo. Assim, infere-se que as diferanças sociais no território brasílico são notáveis, mas as pessoas, movidas pelo ideal capitalista, não almejam alterar essa situação, contribuindo para que grande parte das mulheres não tenham acesso aos mantimentos de higiene pessoal. Esse fato pode ser observado na fala do escritor Lima Barreto, o qual afirma que “O Brasil não tem povo, tem público.” Desse modo, apesar da discrepância de renda ser notável no país, os habitantes não agem para alterar tal situação. Por consequência, é imprescindível que, para a refutação do autor, essa problemática seja revertida.
Ademais, a falta de ação social contribui para a perpetuação do problema sanitário observado. Conforme a filósofa Simone de Beauvoir, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.” Essa afirmação permite concluir que o número de mulheres que não possuem acesso aos mantimentos de higiene íntima, ou que sentem-se constrangidas com o assunto, é tão alto que o povo habituou-se a ele. Isso pode ser comprovado no dado divulgado pela Organização das Nações Unidas, o qual publicou que uma a cada dez mulheres falta na escola durante o período menstrual. Dessa maneira, torna-se evidente o vínculo entre a imobilidade do povo e a retração da postura da mulher. Consequentemente, esse panorama urge ser solucionado para que o conceito de Beauvoir seja contestado.
Portanto, algo precisa ser feito com urgência para solucionar a problemática salutar em questão. Logo, o Ministério da Saúde - órgão responsável por garantir o suporte à saúde da população - deve realizar a distribuição de absorventes e promover, pelo menos, uma consulta ginecológica ao público feminino por meio da canalização de recursos e do incentivo à doação (pelos meios físicos - panfletos - e pelos meios digitais - redes midiáticas -). Por conseguinte, as mulheres alcançarão maior qualidade de vida e sentir-se-ão menos constrangidas pela sua própria natureza.