Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 31/08/2021

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o acesso à higiene menstrual é tido como um direito e deve ser tratado como uma questão de saúde pública e de direitos humanos. Porém, no Brasil, o relatório Livre para Menstruar, elaborado pelo movimento “Girl Up”, aponta que uma em cada quatro adolescentes não possui um absorvente durante seu período menstrual. Essa indisponibilidade, vai muito além da falta de dinheiro para comprar produtos de higiene menstrual adequados. Ela evidencia ainda mais a desigualdade social e gera impactos diretos na educação. Nesse viés, medidas são necessárias para a resolução da problemática.

Sob uma primeira análise, nacionalmente, 7,2 milhões de mulheres vivem em situação de extrema pobreza, de acordo com a pesquisa Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do IBGE. Além disso, cerca de 1 milhão delas vivem em situação de precariedade alimentar grave. Nesses casos, as famílias priorizam o consumo de alimentos em detrimento dos gastos com absorventes e outros produtos de higiene pessoal. Infelizmente, absorventes são considerados produtos supérfluos, e tributados como tal, o que aumenta consideravelmente o custo de fabricação e consequentemente o preço final. Assim, a pobreza menstrual é uma triste constatação de negligência por parte das autoridades para garantia mínima da dignidade feminina.

Ao mesmo tempo, a falta do absorvente afeta diretamente o desempenho escolar das estudantes e, como consequência, restringe o desenvolvimento de seu potencial na vida adulta. Em relatório publicado pela ONU, no mundo, uma em cada dez meninas falta às aulas durante o período menstrual. No Brasil, esse número é ainda maior: uma entre quatro estudantes já deixou de ir à escola por não ter absorventes. Com isso, perdem, em média, até 45 dias de aula, por ano letivo, como revela o levantamento “Impacto da Pobreza Menstrual no Brasil”. Portanto, o ato biológico de menstruar acaba por virar mais um fator de desigualdade de oportunidades entre os gêneros.

Diante do exposto, medidas urgentes precisam ser tomadas para que os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil sejam superados. Para tanto, o Governo Federal, em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS), deve distribuir absorventes gratuitamente, tanto em postos de saúde quanto em escolas públicas, àquelas mulheres de baixa renda que não têm condições de adquirir tais itens. Para que, dessa forma, a dignidade menstrual deixe de ser um privilégio na nossa sociedade e a dignidade humana seja um direito concreto.