Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 29/10/2021
Em 2020, na internet, surgiram diversas notícias absurdas em relação à menstruação no Brasil, forma das mulheres de satirizar a desinformação por parte de indivíduos que não passam por essa situação. Assim, essa desinformação denunciada, seja não sabendo o que é a menstruação e suas características ou não sabendo da realidade da parcela da população mais vulnerável em relação a menstruação, faz com que o acesso a produtos de higiene menstrual não pareça uma luta necessária. Nesse ínterim, são muitos os desafios do combate à pobreza menstrual no Brasil, como a negligência por parte do responsável ou impossibilidade deste de adquirir os produtos e o descaso do governo.
Em primeira instância, é necessário frisar que responsáveis legais que não menstruam, por não saberem dessa realidade, acabam negligenciando e não vendo os produtos como essenciais, deixando de comprá-los para as meninas. Outrossim, em famílias de baixa renda esse fator se agrava ainda mais, pois o que motiva a carência dos itens é a falta de dinheiro disponível, sendo este destinado principalmente à alimentação. Dessa forma, inúmeros indivíduos sofrem por não terem acesso a higiene menstrual básica, recorrendo a métodos muitas vezes perigosos e que podem levar a futuras complicações de saúde.
Em segunda instância, a negligência governamental é um grande desafio para o combate à carência de produtos de higiene menstrual no Brasil. Ademais, tendo isso em vista, é viável citar que, desde 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) considera o acesso à higiene menstrual um direito que precisa ser visto como uma questão de saúde pública. Dessa maneira, é dever do governo garantir o acesso aos produtos higiênicos, pois tem relação direta com o bem-estar da população brasileira.
Em vista dos fatores apresentados, é visível que a pobreza menstrual no Brasil precisa ser combatida. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação disponível produtos de higiene menstrual, como absorventes e coletores, por meio de verbas públicas, para que meninas e mulheres, principalmente de baixa renda, possam ter higiene e saúde de qualidade e não recorram, por desespero, a métodos que possam prejudicá-las no futuro. Dessa forma, será possível uma maior bem-estar e qualidade de vida da população.