Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 30/08/2021

Fenômeno relevante na sociedade brasileira atual, a pobreza menstrual no país preocupa a sociedade como um todo dado aos desafios em torno do combate dessa. Nesse cenário, a vulnerabilidade social aliado ao tabu acerca do tema atuam como problemáticas que potencializam o fenômeno. Dessa forma, políticas públicas com o objetivo reduzir a pobreza menstrual têm caráter emergencial.

Nesse contexto, a vulnerabilidade social é um dos desafios principais no combate ao fenômeno. Isso acontece de forma que, a pobreza menstrual é caracterizada pela falta de recursos para comprar produtos de higiene pessoal, além da falta de acesso ao saneamento básico e à água. Esse fato, é denunciado nas escolas da periferia, nas quais jovens e adolescentes deixam de frequentar aulas durante o período menstrual pela falta de acesso a esses itens básicos. Em casos extremos, é recorrente ainda o uso de alternativas anti higiênicas, como jornal e miolo de pão para estancar o sangue. Nesse quadro, uma vez que é garantido por lei, por meio da ONU, o direito à higiene menstrual, o descumprimento desse faz das jovens da periferia cidadãos de papel, isto é, cidadão que só tem o seu direito garantido por lei e não de forma prática, de acordo com o sociólogo Dimenstein, situação que requer medidas de contenção.

No cenário em questão, há ainda o tabu em torno do tema, o qual atua como um desafio para sanar o fenômeno. Nessa condição, a falta de conhecimento sobre a menstruação faz com que a sociedade, em sua maioria, atribua ao ato adjetivos como sujo e nojento, além de o designarem como vergonhoso, o que coage e constrange a mulher que menstrua, competindo uma forma velada de violência de gênero. Situações como essas são responsáveis por fortalecer o tabu em torno da menstruação, o que deixa as mulheres à mercê de políticas essenciais para lidar com o período. Esse momento é evidenciado pela falta de acesso a informações nas escolas e ainda pela falta de distribuição de insumos básicos, como absorventes descartáveis e coletores menstruais, o que ilustra a pobreza menstrual e exige reparação.

Portanto, políticas públicas com o objetivo de reduzir o fenômeno são urgentes. Para isso, o Governo, órgão responsável por gerir o país, deve atuar na promoção da higiene menstrual. Isso deve ocorrer por meio do Ministério da Saúde através da implantação, nas escolas e periferias, de postos de saúde da mulher, voltados não só a distribuição gratuita de insumos higiênicos como no ensinamento do modo de usá -los e de informações sobre a necessidade de menstruar e suas atribuições. Sendo, inclusive, passível de multas, os estados que não cumprirem com a lei do direito à higiene menstrual proposta pela ONU. Além de promover campanhas midiáticas sobre o tema com o objetivo de pôr fim ao tabu e amenizar os desafios no combate à pobreza menstrual.