Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 26/08/2021

O documentário “Absorvendo Tabu”, da autora Raika Zihtabchi, retrata o estigma da menstruação e a carência de produtos de higiene necessários para o período menstrual, das mulheres, na Índia. Analogamente ao documentário, o Brasil, hodierno, apresenta discussões no que tange a pobreza menstrual no País. Nesse viés, desigualdades sociais e negligências governamentais são fatores contribuintes para agravarem a problemática. Sendo assim, cabe analisar e apresentar possíveis soluções para o impasse.

Em primeira instância, é válido ressaltar o dado apresentado pela CNN Brasil, o qual mostra que 4 milhões de mulheres brasileiras não têm acesso a produtos básicos de higiene pessoal. Nesse contexto, torna-se nítido a concentração de renda e a desigualdade social existente no  Brasil, haja vista que uma parcela significativa da sociedade não possui condições financeiras para adquir itens importantes para garantir o bem-estar nesse período. Dessa forma, a excassez do uso de artefatos próprios para a estação e o uso de diversos objetos inapropriados para conter o sangramento, deixam as mulheres vulneráveis à adiquirirem patológias e a enfrentarem problemas sociais como a evasão escolar.

Em segunda análise, ainda é cabível citar que a Organização das Nações Unidas, ONU, em 2014, passou a considerar o acesso a higiene menstrual um direito que precisa ser tratado como questão de saúde pública. Nesse sentido, observa-se a falha do Estado em cumprir efetivamente com esse direito, uma vez que não há auxílio financeiro ou distribuição gratuita de utensílios essenciais para as cidadãs, não há, assim, políticas públicas, práticas, voltadas para o tema. Acerca disso, é evidente que as leis brasileiras atuam como “letras mortas”, a qual não se nota aplicação fora do papel, como é dito pelo autor Gilberto, em seu livro “O cidadão de Papel”.

Portanto, fica claro que o impasse urge por soluções. Cabe ao Governo por intermédio do Ministério da Saúde, promover um mapeamento para identificar às pessoas com vulnerabilidade financeira e que necessitam dos produtos de higiene menstrual, com o fito de atingir o público alvo e, assim, distribuir os artefatos necessários, auxiliando e promovendo uma melhor qualidade de vida para essas pessoas.