Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 25/09/2021
São Tomás de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. No entanto, a pobreza menstrual no Brasil contraria a visão do filósofo, haja vista a falta de recursos de higiene a qual parte da população é acometida. Nesse sentido, atribui-se à desigualdade social o fator promotor do impasse, causando a segregação social em consequência. Diante disso, faz-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de alterar essa questão.
Em primeira análise, destaca-se a ação da disparidade social na raiz do problema. Nesse cenário, de acordo com Darcy Ribeiro, o Brasil, em sua herança, tem uma perversidade que torna a classe dominante enferma de desigualdade, de descaso. Dessa forma, a realidade da pobreza menstrual no país é fruto desse legado bárbaro, motivo do qual muitos cidadãos não têm sequer alimentação e moradia garantidas, o que torna artigos de higiene uma questão de luxo. Logo, a urgência por itens como absorventes e coletores faz necessária a reformulação dessa circunstância.
Ademais, é possível indicar a exlusão social como efeito do óbice. Nesse viés, segundo Nelson Mandela, deve-se inspirar esperança onde há desespero. Entretanto, ao contrário, as pessoas privadas de higiene pessoal sofrem com o preconceito que recebem por falta de recursos para se cuidarem, sendo consideradas imundas por tal, e acabam afastando-se das instituições primárias, como a igreja e a escola, perdendo, então, o contato social. Nessa perspectiva, é destacável a relevância da vivência em sociedade para a formação pessoal e, com isso, espera-se a reversão imediata desse quadro deletério.
Portanto, medidas são fulcrais para cessar o revés. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde, responsável pela proteção e recuperação da saúde da população, promover a disponibilidade aos itens básicos de higiene menstrual nas comunidades mais pobres, por meio da distribuição desses elementos nos postos de saúde e escolas, a fim de garantir melhores condições a essas pessoas. Desse modo, a desigualdade no Brasil, reconhecida como enfermidade por Darcy Ribeiro, poderá ser tratada, assim como seus efeitos.