Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 26/08/2021

O curta metragem “Absorvendo o tabu”, produzido pela plataforma Netflix,  mostra o contexto precário vivenciado pelas mulheres indianas de uma comunidade quando estão em seu período menstrual, as quais param de frequentar a escola recorrem a métodos alternativos nada seguros para substituir o absorvente. Apesar de tal problemática parecer distante, no Brasil existem muitas pessoas que menstruam em vulnerabilidade, sem acesso à ferramentas para cuidarem de sua saúde íntima. Logo, torna-se nítida a urgência de análise de suas causas e consequências para promover mudanças.

Em primeiro lugar, deve-se considerar que a chamada pobreza menstrual afets as camadas ja negligenciadas da sociedade, como explica a ginecologista Marcela Mc Gowan ao tratar do assunto. Acerca disso, lembra-se que no país somente alguns estados consideraram itens absorventes como artigos básicos de higiene, com isso não há distribuição gratuita deles por todo Estado Nacional. Assim, mulheres na linha da pobreza, presidiárias e mordoras de rua são as principais vítimas de infecções e doenças, assim como de vergonha e embaraçamento por ficarem desamparadas nessa situação.

Ademais, nota-se no Brasil um certo desconforto quando a pauta é menstruação. Tal comportamento é justificado por um pré-conceito construído por anos e repassado à gerações, ele desnaturaliza esse processo fisiológico e o pinta como algo a ser escondido, sujo. Consequentemente, o tema perde voz e notoriedade, o que pode ser visto nos diversos projetos de lei que tangem o assunto e ficam em tramitação por longos períodos sem serem aprovados. Dessa forma, essa violação dos direitos humanos é minimizada perante a população e deixa milhões de indivíduos a mercê de uma clara crise social e sanitária.

Em suma, a discussão aqui apresentada chama atenção à resolução do problema. Portanto, cabe ao Governo, por meio do Ministério da Saúde, estabelecer pontos de fornecimento gratuito de itens menstruais, como absorventes e coletores, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e também  criação de campanhas televisivas que visem instruir acerca do uso e descarte desses elementos, para que a saúde e o bem estar dessas pessoas seja priorizada e a menstruação normalizada. Dessa maneira, o país poderá um dia ser exemplo à nações que agora sofrem com a mesma vil injustiça, como a Índia, de acordo com o documentário “Absorvendo o tabu”.