Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 26/08/2021
No Brasil, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 25% das mulheres faltam aulas regularmente por não possuirem meios de lidar com a menstruação. Isto é, seja por cólica intensa ou falta de absorventes, essas garotas são privadas do acesso à escola. No entanto, os absorventes ainda não são considerados itens de higiene básica na legislação do país, motivo pelo qual um movimento intenso de combate à pobreza menstrual tem surgido. Tal movimento, porém, encontra dificuldades devido às Assembleias Legislativas estaduais conservadoras e ao tabu ainda presente na sociedade.
Primeiramente, convém mencionar o trabalho que vem sendo realizado pelas organizações do Girl Up Brasil. Este é um órgão associado à Organização das Nações Unidas (ONU), no qual diversas pessoas se agrupam em clubes e lutam pela igualdade de gênero a nível estadual, nacional e até internacional. Logo, os clubes do Girl Up ao redor do Brasil inteiro têm entrado em contato com vereadoras interessadas na campanha Livre Para Menstruar e protocolado Projetos de Lei que lidem com o problema. Dessa maneira, pode-se citar o Girl Up Nação Praieira, atuante em Recife, mas que buscou contato com outros municípios do estado de Pernambuco e enfrentou empecilhos com a Assembleia Legislativa de Caruaru, majoritariamente masculina e conservadora. Assim, a líder desse clube, Laryssa Coe, afirma que esse embate tem sido realizado em muitas cidades interioranas e que, às vezes, é difícil conseguir avanços quando o poder político feminino é tão frágil.
Além disso, é importante trazer à discussão o que menciona a vereadora Liana Cirne, eleita pelo PT no estado de Pernambuco. Segundo ela, o tabu relacionado à menstruação é muito prejudicial, pois diversas meninas têm vergonha de falar sobre os problemas que as afligem. Portanto, torna-se ainda mais complicado encontrar soluções para a situação da pobreza menstrual, uma vez que não se ouve a voz das pessoas que menstruam. Além disso, pode ser feito um paralelo dessa repressão com os escritos da psicóloga norte-americana, Clarissa Pinkola Estés. Tal autora escreve, em seu livro “Mulheres que Correm com os Lobos”, que a mulher é, desde muito cedo, ensinada a se manter em silêncio e questionar tudo que a torna um ser humano. Dessa forma, é privada de liberdade, e todas as características que a sociedade associa a ela são desprezadas, incluindo a menstruação.
Em conclusão, tem-se que o Governo Federal precisa promover mais participação feminina nos espaços políticos. Isso pode ser feito por intermédio da aprovação de um fundo financeiro que estimule as campanhas de candidatas mulheres em todas as instâncias, gerido por outras mulheres que tenham uma agenda de cuidado com a saúde em mente. Assim, o embate entre opiniões opostas será realizado de maneira mais justa, e pouco a pouco, será possível minar a mentalidade machista da sociedade.