Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 16/09/2021
Durante a Idade Média, as mulheres usavam tecidos para conter o fluxo menstrual, além de noz-moscada e bolsas de flores secas para mascarar o odor, porém, o fato mais singular é que o sangue da menstruação era visto como algo tóxico e venenoso. Em contrapartida, no mundo contemporâneo, as pessoas abandonaram as ideias absurdas que rondavam esse assunto, mas o debate continua sendo um tabu. No Brasil, a menstruação se tornou um obstáculo social, o que gerou o termo “pobreza menstrual”, uma vez que inúmeras meninas e mulheres não têm acesso a itens de higiene básicos, fora que o tema ainda é negligenciado por ser considerado vergonhoso e irrelevante.
Convém ressaltar, a princípio, que a higiene feminina é prejudicada com a falta de produtos básicos e essenciais ao longo de seu ciclo menstrual. No documentário “Absorvendo O Tabu”, da Netflix, mulheres de uma aldeia indiana produzem seus próprios absorventes, dessa maneira, garantindo renda e asseio para sua comunidade. Nesse sentido, é perceptível que a desigualdade social é um dos grandes impasses para os cuidados de higiene femininos, fato comprovado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) com o estudo “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos” que mostrou números alarmantes: 200 mil meninas são privadas de cuidar de sua menstruação na escola pela carência de serviços básicos, circustância que demonstra um descaso governamental com essa parcela da população.
Ademais, o debate sobre menstruação no Brasil continua sendo visto como um tabu e, consequentemente, é deixado de lado. Pautas com foco no público feminino são negligenciadas, diminuídas ou tornam-se chacota, condições que fazem com que mulheres deixem de conversar naturalmente sobre temas do próprio universo. Na campanha de 2018 da marca de absorventes “Sempre Livre”, o foco foi mostrar a importância da conversa aberta entre meninas sobre menstruação. Essa ação permitiu que garotas se sentissem confortáveis para dialogar e tirar dúvidas, algo muito significativo em um país que trata a fisiologia feminina de forma machista e que precisa de medidas urgentes para progredir.
Logo, é necessário que ideias que possam solucionar a pobreza menstrual no Brasil sejam postas em prática. O Ministério da Saúde deve garantir a melhoria da infraestrutura de saneamento de locais públicos e elaborar palestras educacionais voltadas para a normalização do tema menstruação, desse modo, proporcionando o cuidado adequado durante o período menstrual e tornando o tópico um assunto regular na conversa de adolescentes de todo país.