Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 27/08/2021

A curta-metragem “Absorvendo o Tabu”, da Netflix retrata a situação vulnerável de mulheres indianas que não possuem acesso à itens básicos de higiene menstrual. Nesse contexto, a realidade brasileira se assemelha com a da Índia, tendo que várias mulheres sofrem com a pobreza menstrual - um quadro perpetuado pelo tabu na sociedade contemporânea e, também, pela desigualdade social. Assim, faz-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura.

Primordialmente, a escritora francesa Simone Beavouir discute na obra “O Segundo Sexo” que, desde as sociedades primitivas o sangue menstrual tornou-se um tabu, sendo visto como algo sujo ou impuro. Assim, é perceptível que, ainda hoje tal pensamento percorre no corpo social brasiliano, visto que, segundo o jornal uol, 49% das adolescentes entre 12 a 21 anos já faltaram à escola por estarem no período menstrual. Sendo assim, o estigma da menstruação afeta não só o cotidiano de muitas mulheres como, também, o desempenho escolar.

Ademais, parafraseando o renomado filósofo Thomas Hobbes, a função do Estado é garantir os direitos essenciais a todos. Entretanto, o governo se relaciona com a sociedade de modo omissão e negligência, já que, os absorventes e coletores menstruais são considerado artigos de luxo, sendo 25% do custo de impostos, ou seja, a mentalidade capitalista encarece o produto e, consequentemente, pessoas em situação de pobreza recorrem ao uso de pedaços de jornais, de tecido e entre outros, no qual contribui para infecções urinárias e vaginais. Dessa forma, é possível perceber o quão improvidente é a máquina pública.

É inaceitável, portanto, que exista um parcela da sociedade afetada pelo impasse. Destarte, é necessário que o Ministério da Educação - órgão responsável pelas diretrizes educacionais - desenvolva leis que torne obrigatório a matéria de educação sexual na grade disciplina nas escolas, com intuito de desconstruir a preconceito sobre ciclos menstruais. Outrossim, cabe ao Governo Federal distribuir, por intermédio de projetos locais, investir em meios para que os absorventes sejam produzidos de modo sustentável e acessível, com intuito de diminuir o preço e torne acessível para todas as mulheres. Dessa maneira, poder-se-á haver uma dissemelhança entre a realidade brasileira e a realidade do documentário supracitado