Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 30/08/2021

Para o Senado Federal, 13% da população brasileira vive com menos de R$ 246 reais por mês e o gasto estimado por ciclo menstrual é de R$ 30 reais. Considerando esses valores, segundo a senadora Zenaide Maia, menstruar, para uma pequena, mas significativa parcela de brasileiras, pode ser caro. No contexto nacional atual, o assunto é pouco debatido e boa parte do problema ocorre por falta de iniciativas de distribuição de produtos de higiene menstrual. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Primeiramente, faz-se necessário clarear que o problema no combate à pobreza menstrual no Brasil não acontece unicamente por falta de iniciativas, mas também, por ignorância e falta de informação sobre o tema. Por um lado, nota-se que o problema se torna cada vez mais presente na vida de jovens brasileiras. Com a pandemia, segundo a estudante Hillary Gomes, 19 milhões de brasileiros passam fome, fazendo com que itens de higiene se tornem luxo para muitos. Por outro, além da falta de dinheiro para compra de mercadorias de higiene menstrual, a distribuição desses produtos não acontece com a frequência que deveria. Segundo a iniciativa popular que chegou no Senado Federal sobre o tema, esses itens não são distribuídos de forma gratuita na maioria dos postos de saúde. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Ademais, o assunto só se tornou pertinente em debates e trâmites nos últimos anos. O tema não era considerado grave, mesmo com milhôes de jovens sofrendo. Acesso à higiene menstrual é, desde 2014, considerado um direito pela ONU (Organização das Nações Unidas). Fundamentadas nesses posicionamentos, medidas para a solução no combate à pobreza menstrual começaram a ser tomadas  em 2020, com duas sugestões legislativas analisadas pela CDH (Comissão de Direitos Humanos e Participação Legislativa) tendo o objetivo de distruibuir de forma gratuita e obrigratória produtos para higiene mentrual. Dessa forma, nota-se a necessidade de solucionar essa condição cada vez mais presente no Brasil.

Portanto, faz-se imprescindível que a mídia - instrumento de ampla abrangência - informe a sociedade a respeito da probreza menstrual no Brasil, por meio de comerciais periódicos nas redes sociais e debates televisivos, a fim de formar cidadãos informados. Paralelamente, o Estado - principal promotor da harmonia social - deve promover a educação de cidadãos, por intermédio de incentivos monetários para informa-los sobre o tema, com a finalidade de amenizar o problema. Assim, o corpo civil será mais educado e o combate à pobreza menstrual não será mais uma necessidade do Brasil.