Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 27/08/2021

O documentário Absorvendo o Tabu retrata o drama de mulheres da zona rural indiana que não dispõem de absorventes menstruais em virtude das condições financeiras e do preconceito. Analogamente, no Brasil, essa realidade é observada na pobreza menstrual vivenciada por muitas pessoas com útero que não têm acesso a itens de higiene íntima durante a menstruação. Nesse sentido, cabe analisar a lógica capitalista e a falta de investimentos enquanto pilares da problemática.

Em primeira análise, é notório que a priorização de interesses financeiros é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com Karl Marx, em seu livro “O Capital”, “no capitalismo as coisas são personificadas e as pessoas são coisificadas”. Sob esse viés, nota-se que a indústria capitalista prioriza o lucro e vende produtos como absorventes e coletores menstruais, que são indispensáveis para pessoas que menstruam, por preçoes elevados, o que torna a compra inacessível para indivíduos em vulnerabilidade social. Assim, essa lógica de capital contribui para a perpetuação da carência menstrual.

Ademais, é evidente que a ausência de investimentos é uma base sólida para a consolidação da problemática. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a taxa de investimentos no Brasil, somando os setores público e privado, está no menor nível dos últimos 50 anos. No entanto, para intervir sobre problemas coletivos, como a probreza menstrual, é preciso um investimento massivo, tanto em estratégias para reduzir a desigualdade, quanto na democratização do acesso aos itens básicos de higiene íntima por pessoas carentes. Dessa forma, essa insuficiência financeira dificulta a intervenção da questão.

Em suma, medidas precisam ser tomadas para combater a pobreza menstrual na sociedade brasileira. Portanto, é necessário que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, por meio de investimentos em uma campanha nacional, promova a distribuição de absorventes, coletores e tampões menstruais de forma gratuita às pessoas de baixa renda, com o intuito de diminuir os índices de carência menstrual. Tal ação deve contar também com a entrega de um folheto contendo orientações sobre como usar os produtos e medicamentos para aliviar os sintomas da menstruação. Desse modo, possivelmente, a realidade das mulheres do país asiático não se faça mais presente no Brasil.