Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 26/08/2021
A menstruação ocorre quando os níveis de progesterona e estrogênio decaem, propiciando a queda do endométrio e, consequentemente, a renovação do útero feminino para uma possível fecundação, ou seja, a menstruação é um fenômeno biológico que viabiliza a formação da vida humana. Apesar da sua inegável importância, muitas mulheres não têm nem mesmo a oportunidade de menstruar de forma adequada, isto é, não possuem acesso aos absorventes. Diante disso, é válido ressaltar que esse fenômeno - conhecido como pobreza menstrual- está relacionado com a história do Brasil e tem gerado gastos para governo.
De início, é possível afirmar que o passado da nação brasileira, mesmo que indiretamente, é responsável pela pobreza menstrual. Sob essa ótica, o patriarcalismo -um sistema em que os homens posuem um privilégio social- fazia parte da estrutura socioecnômica do perído colonial (1530-1822), o qual acabou sendo a base da sociedade atual. Por conta disso, as mulheres ainda não conseguiram ter uma grande representatividade na política e, com isso, inúmeros direitos do sexo feminino são negligenciados, inclusive o direito de menstruar num absorvente.
Consequentemente, com a pobreza menstrual que afeta inúmeras mulheres, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem gastos desnecessários. Segundo o Ministério da Saúde, é muito mais caro arcar com as despesas das infecções sexualmente transmissíveis (IST) do que com a distribuição de preservativos. Com os absorventes é a mesma coisa, uma vez que, sem eles, a menstruação, além de gerar um desconforto nas mulheres, pode criar um ambiente propicio para a reprodução de bactérias, causando doenças e exigindo tratamento médico. Logo, fica nítido que o Estado tem um gasto muito maior para tratar essas mulheres enfermas do que para distribuir absorventes gratuitamente.
Em virtude dos fatos mencionados, são necessárias medidas para mitigar essa problemática. Dessa forma, para que a pobreza menstrual deixe de ser uma realidade brasileira, é fundamental que o Congresso Nacional, por meio de discussões e votações, crie uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplie as cotas de genêro dentro da política, essa proposta deve exigir que 35% dos cargos legislativos sejam compostos por mulheres. Assim, essa representatividade política das mulheres facilitará a criação de leis de distribuição de absorventes e, então, um dos fenômenos biológicos mais importantes para a humanidade poderá ser realizado com dignidade.