Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 07/09/2021
Em seu poema intitulado “José”, Carlos Drumond de Andrade, traça um quadro pessimista do cotidiano, por meio de um reflexão existencial. Ao longo do texto, o interlocutor do eu lírico é repetidamente indagado com a frase " e agora, José", sugerindo um sentimento de quem não agiu ou perdeu a hora certa de fazê-lo. Analogamente, a fim de não cometer o mesmo erro José, urge a necessidade de abordar os desafios enfrentados no combate à pobreza menstrual no Brasil, já que esse antagonismo é fruto da falta de empatia social e da carência de políticas públicas. Nesse viés, torna-se fundamental a superação desses desafios, a fim do pleno funcionamento íntegro da coletividade.
Diante desse cenário, é fulcral assinalar que a falta de empatia do corpo social é um fator impulsionador desse problema. De acordo com Djamila Ribeiro, " é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas". Porém, há um silenciamento instaurado nos desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil, visto que tal temática tem a necessidade de ser abordada e resolvida, pois, todas as mulheres possuem ciclo menstrual, logo, todas precisam de bens, como por exemplo, absorventes e remédios para cólica, contudo, nem o corpo social, nem o Estado se mobilizam para ajudar. Assim, urge a necessidade de tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a pensadora.
Ademais, cabe pontuar que a carência de políticas públicas colabora para a persistência de tal imbróglio. Nesse âmbito, ganha destaque a perspectiva do sociólogo Francês Émile Durkheim, que afirma que o fato social é dotado de exterioridade, coercitividade e generalidade. Diante disso, percebe-se que o entrave em questão está imerso em um fato social, já que o impasse existe, e o Estado não age para tentar refrear tal prática. Dessa forma, contribui ocultamente para que tal banalização continue em um ciclo vicioso, uma vez que, sem medidas eficazes de prevenção, é evidente que tal situação não será mitigada.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater essa situação. Nessa perspectiva, convém ao Governo federal, responsável por políticas nacionais e abrangentes, por meio de subsídios, como, por exemplo, financeiros, deve realizar a criação de projetos que alcem os grupos mais carentes no sentido de pobreza menstrual, esses projetos realizarão a entrega de absorventes e remédios para cólica, a fim de garantir o bem estar da população. Além disso, o Estado deverá promover palestras, com profissionais capacitados, como psicólogos, com o intuito de gerar empatia na sociedade. Para que o ideal defendido por Djamila Ribeiro seja concretizado.