Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 07/09/2021
Promulgada em 1988, a Constituição da República do Brasil instaura como dever do Estado garantir dignidade para toda a população. No entanto, a falta de informação e condição financeira de parte da população, faz com que inúmeras mulheres se encontrem em situação de pobreza menstrual. De acordo com a antropóloga Miriam Goldenberg, o termo citado acima é definido como a carência de itens de higiene básica durante o período de menstruação e é responsável por dificultar a vida feminina durante o ciclo, ocasionando impasses como evasão escolar, o que evidencia a falha do governo em prover direitos e a necessidade de reverter essa realidade.
Diante desse cenário, temos que a sociedade brasileira é moldada historicamente à partir de uma mentalidade patriarcal e machista. Logo, temas como a saúde feminina são considerados tabus, sendo pouco discutidos. Por conseguinte, esse fato é autor da evasão escolar de uma a cada quatro meninas, dados UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), já que elas são privadas economicamente em adquirir itens de higiene básica, tais como absorventes, e veem como a única opção não frequentar o ambiente escolar buscando evitar qualquer constrangimento que possa ser causado por seu fluxo.
Outrossim, de acordo com Peter Drucken, considerado pai da administração moderna, não existem países subdesenvolvidos, existem países subadministrados. Diante disso, depreende-se que o subdesenvolvimento brasileiro, no que tange à falha de garantia de condições financeiras, é consequência de uma má administração. Além disso, a construção patriarcal e machista também é presente na política. A Câmara e o Congresso, ainda são compostos em sua maioria por homens, dificultando a presença feminina na política nacional e, consequentemente, de políticas voltadas para o gênero feminino.
Portanto, medidas são necessárias para superar essa realidade. O Poder Legislativo, através da Câmara dos Deputados, deve criar a lei de garantia da saúde básica feminina responsável por garantir suprimentos essenciais à mulheres. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as escolas estaduais e municipais, serão responsáveis pela distribuição do kit que deve conter itens como absorventes, coletores menstruais, remédios para cólica, sabonete íntimo e um folheto educativo explicando a utilização dos produtos. Ademais, prover palestra ministradas por psicólogas sexuais nas escolas com o objetivo de pôr fim ao tabu sobre a fisiologia da mulher, buscando, assim, a superação da pobreza menstrual e dos seus fatores geratrizes.