Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 27/08/2021

Em 2014, a Organização Mundial das Nações Unidas (ONU) reconheceu que a higiene menstrual é um direito das mulheres por ser uma questão de saúde pública. No entanto, no Brasil, o que deveria ser um direito é um luxo, visto que, muitas jovens e mulheres não possuem condições para comprar absorventes  ou tampões menstruais. Então, o problema está na escassez desses recursos que não são acessíveis à todas, o que acarreta, principalmente, na falta escolar durante o ciclo menstrual. Por isso, a pobreza menstrual é assunto a ser debatido para que medidas sejam tomadas a fim de que a higiene básica da mulher se torne um direito a todas.

Em primeira instância, tem-se a falta de absorventes higiênicos como principal questão a ser debatida. A deputada federal Tabata Amaral elaborou um projeto de lei que abordava a distribuição de absorventes em espaços públicos. No entanto, esse projeto gerou grande discursão em relação ao impacto orçamentário e se há a necessidade do mesmo. Assim, fica visível que a pobreza menstrual não está apenas ligada a vulnerabilidade social, mas, também, a forma que o assunto é visto na sociedade. Diante disso, é necessário que o Estado execute seu dever como responsável pela saúde pública, ao fornecer itens necessários para a saúde íntima de jovens e mulheres.

Ademais, a falta desses recursos origina outra problemática: a evasão escolar. De acordo com a ONU, 1 em 4 adolescentes brasileiras já faltaram a escola por causa do ciclo menstrual. Com isso, torna-se evidente o descaso público perante essa questão. Pois, de mesma forma que o Estado deve  garantir, mediante políticas sociais e econômicas, o acesso igualitário da saúde, é dever desse, promover e incentivar a educação e de mecanismos para a concretização dessa. Contudo, ao não suprir as necessidades de todos as jovens, o Estado está negligênciando a saúde e, de certa forma, a educação das estudantes brasileiras.

Dessa forma, o Governo precisa mudar esse cenário problemático. Então, a Câmara dos deputados deve aprovar o projeto da deputada Tabata Amaral em todo território brasileiro. De modo que, em todas as Unidades de Saúde possa ter absorventes descartáveis e, por ventura, coletores menstruais para as jovens mulheres, por ser de uso prático e serem reutilizáveis. Junto a isso, é importante que as escolas, principalmente as públicas, possam disponibilizar absorventes nos banheiros femininos, assim como, uma boa higiene do local. Com essas iniciativas, é esperado que problemas ocasionados pela falta de recursos higiênicos para mulheres sejam minimizados e que a escola não seja um local a ser evitado por esse motivo.