Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 03/09/2021

No documentário ´´Absorvendo o Tabu``, é denunciado a dificuldade das mulheres indianas, diante de um cenário de vulnerabilidade econômica e social, para acessar recursos básicos durante a menstruação. De forma problemática, a obra assemelha-se a realidade de muitas brasileiras que sofrem com a supracitada pobreza menstrual. Por isso, é essencial analisar fatores culturais e legislativos que dificultam a mitigação desse problema.

A princípio, o forte androcentrismo promove a manutenção da pobreza menstrual no país. Segundo a escritora Nancy Fraser, esse termo remete a supervalorização social ou normativa de características tidas como masculinas. Nesse sentido, em uma comunidade androcêntrica, é comum que as necessidades fisiológicas da figura normalmente vista como feminina sejam subalternizadas. Isso é visto, por exemplo, em diversos banheiros públicos, nos quais há a presença de papel higiênico que atende ambos os sexos, mas a falta de absorvente que, unilateralmente, atende aqueles que menstruam. Desse modo, nota-se que esse fator cultural favorece a desvalorização das necessidades das mulheres e dos homens transexuais.

Ademais, a ausência de saneamento básico é outro problema. A esse respeito, percebe-se que, para o senso comum, a pobreza menstrual está relacionada com a inacessibilidade ao absorvente, entretanto, é muito mais que isso, visto que esse termo refere-se a falta de recursos essenciais durante a menstruação. Nessa lógica, a privação a uma infraestrutura sanitária – realidade confirmada de acordo com o Sistema Nacional de Saneamento, o qual afirma que cerca de 17% dos municípios brasileiros não possuem agua encanada- está intrinsecamente ligada a temática. Isso porque as pessoas que menstruam não conseguem mantem uma boa higiene intima durante tal ciclo, o que ocasiona doenças como a vaginose bacteriana. Logo, vê-se que é essencial democratizar o saneamento básico no país.          Dessa maneira, conclui-se que é importante combater a pobreza menstrual no Brasil. A fim disso, o Ministério da Saúde, junto ao governo, deve criar um projeto que vise o fim do androcentismo e da inacessibilidade ao absorvente. Isso deve ser feito por meio de campanhas que normalizem a menstruação e as necessidades dos corpos que menstruam. Em conjunto, através de um redirecionamento de uma parte dos impostos públicos, deve-se disponibilizar absorventes gratuitos em espaços públicos, como escolas e hospitais. Além disso, o Ministério do Desenvolvimento Regional, em paralelo ao projeto, deve avançar na universalização do saneamento básico pelo pais. Posto isso, espera-se mitigar esse problema na sociedade canarinha e garantir dignidade as pessoas que menstruam.