Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 26/08/2021

Em agosto de 2021 foi aprovada a PL 428/2020 que dispõe sobre a distribuição de absorventes em espaços públicos. Tal medida põe em evidência um tema levantado a pouco tempo no Brasil: o combate à pobreza menstrual. A aprovação dessa lei torna clara a necessidade de abordar tal problemática como questão de saúde pública.

Em primeiro plano é preciso destacar que, atualmente, o país passa por uma grave crise econômica desencadeada pela pandemia do novo coronavírus. De acordo com o Portal de Notícias do Senado Federal, hoje o Brasil possui 19 milhões de pessoas passando fome. E como isso se relaciona com a pobreza menstrual? Esse questionamento pode ser respondido ao se levar em conta que a diminuição da renda per capta leva à negociação de prioridades dentro das casas. Ou seja, quando não há dinehiro nem para se alimentar corretamente, muitas demandas básicas, como a compra de absorventes, são preteridas. Contudo, sendo o Brasil um país formado 51% por mulheres (de acordo com dados de 2019 do IBGE), ter acesso a higiene menstrual básica é tão necessário quanto um prato de alimento.

Além disso, no recorte da população que é mais afetada encontra-se jovens em período escolar. Sob esta ótica, a pobreza menstrual afeta diretamente o desempenho escolar de meninas que não possuem acesso digno à absorventes, fanzendo com que elas muitas vezes faltem às aulas durante os dias de ciclo, que podem variar de 3 a 8 dias. Dados da Unicef no Brasil mostram que 4 milhões de adolescentes sofrem com a privação de higiene nas escolas (absorventes, coletores, etc). Logo, é urgente a necessidade abordar esse tema não só como questão de saúde pública como também questão educacional e infanto-juvenil.

Portanto, os desafios do combate à pobreza menstrual no Brasil está intimamente relacionado ao combate à pobreza e à desigualdade social. Uma medida possível no auxílio à essa problemática é a atualização da ementa curricular do Ensino Fundamental II por parte do Ministério da Educação. Nesse contexto, a atualização visaria o ensino amplo e obrigatório nas escolas sobre higiene menstrual, tanto para meninos quanto para meninas. Dessa maneira, haverá a a conscientização de ambos os sexos sobre esse aspecto tão primordial na sociedade e também auxiliará várias adolescentes que podem estar passando por dificuldades a procurar ajuda.