Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 27/08/2021

De acordo com a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mirian Goldenberg, uma em cada quatro jovens já faltou à aula por não poder comprar absorvente e omitem o motivo. Nessa perspectiva, o cenário visto falta desse item se configura não só uma questão apenas de higiene, bem como uma questão de saúde pública. Essa questão afeta principalmente as camadas mais pobres da população, mas propostas como o projeto de lei para oferta gratuita de absorventes femininos estão sendo tomadas para tentar sanar essa problemática.

A princípio, é evidente que o poder público falha ao cumprir o seu papel enquanto agente garantidor das políticas de saúde, o que contribui para a desinformação e negligência acerca do processo natural da menstruação e dos itens de higiene básicos para o período. Nesse sentido, de acordo com o portal de notícias G1, estima-se que uma mulher gaste de 3 a 8 mil reais com absorvente durante a vida. Além disso, os absorventes são tributados como cosméticos, o que eleva o preço de venda e restringe o acesso à população mais carente. E isso se demonstra como uma grande incoerência, já que o Estado deveria garantir as políticas públicas para garantir a obtenção de itens básicos de higiene para promover igualdade, mas não é realizado na prática. Logo, é preciso uma intervenção para que essa questão seja modificada com o fito de alcançar a saúde pública esperada pela sociedade.

Consequentemente, destaca-se o projeto de lei que prevê distribuição gratuita de absorventes femininos como uma tentativa de sanar problema. Nesse contexto, de acordo com o projeto, serão beneficiadas estudantes da rede pública de ensino, mulheres em situação de rua e mulheres recolhidas pelo sistema carcerário. Portanto, o projeto aplica recursos federais para atender as mulheres em situação de vulnerabilidade social. Desse modo, mais atitudes louváveis como essas, que minimizem problemas de saúde ginecológica e evasão escolar das camadas mais desprovidas da população são essenciais.

Portanto, medidas urgentes são exigidas para amenizar a questão. Logo, os Ministérios da Saúde e da Educação, por meio de programas de conscientização de saúde feminina e políticas de saúde pública, devem debater o tema com adolescentes na rede de ensino, garantir o cumprimento das leis aprovadas para esses fins, combater a desinformação sobre o tema e aprimorar o atendimento à saúde da mulher pelo SUS. Nesse sentido, o fito de tal ação é combater a falta de acesso de produtos básicos de higiene menstrual, promover igualdade social e saúde da mulher. Somente assim, esse problema será gradativamente erradicado.