Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 13/11/2021
Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu, em uma de suas obras, uma “teologia do traste”, cuja característica principal reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Sob a ótica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil. Nesse sentido, a fim de dissertar e argumentar sobre essa temática, é importante analisar a negligência estatal e a educação brasileira.
Mormente, deve-ser ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a falta de acesso igualitário à absorventes íntimos. Nessa conjuntura, Otton Von Bismarck, estadista mais importante da Alemanha do século XIX, afirmou que o Estado deve garantir o bem-estar social da população. Sob esse viés, na medida em que existem pessoas vivendo em situações sem o mínimo dos direitos sociais efetivados, como higiene básica que reflete no estado de saúde do indivíduo, observa-se, nesse ponto, a falha da função do poder público, o que é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar que uma grande parcela da população se mostra alienada ao assunto. De acordo com o musicólogo Vladirmir Jankélévitch, em seu livro entitulado “Paradoxo da moral”, o homem moderno carrega uma cegueira ética, ou seja, as pessoas apresentam passividade frente aos impasses enfrentados. Similarmente, os cidadãos brasileiros não enxergam e banalizam os impactos gerados na sociedade por meninas que são obrigadas a se afastar da escola por falta de recursos financeiros para a compra de itens básicos de higiene. Essa situação ocorre, porque, a população assume uma postura individualista e não se movimenta em prol de mudar essa condição. Desse modo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar esse entrave. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação, promover uma série de palestras em escolas, ministradas por especialistas no assunto, que tenham alunos do ensino fundamental e médio como público-alvo. Essa ação deve ser compartilhada na rede social dos Ministérios em formato de “Live”, com a finalidade de trazer mais clareza sobre os impactos gerados pela pobreza menstrual no Brasil e a importância da aprovação de leis que garantam acesso gratuito de ítens básicos de higiene à alunos de escolas públicas e mulheres de baixa renda. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade permeada pela incorporação dos elementos elencados na Magna Carta.