Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 27/08/2021

Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948 pela ONU (Organização das Nações Unidas), estão registrados os direitos naturais de todos os cidadãos. Entre eles, destaca-se o direito à qualidade de vida, o qual não é garantido a muitas das pessoas que menstuam, uma vez que não contam com as mínimas condições de higiene durante o período menstrual. Esse problema advém de questões não apenas remotas, devido à desigualdade social construída historicamente, mas também recentes, em decorrência da falta de acesso a produtos de higiene pessoal e, para que ele não perdure no Brasil, atitudes devem ser tomadas.

Nesse viés, um primeiro aspecto responsável pela problemática consiste na acentuada desigualdade social à qual os brasileiros estão submetidos, o que vem ocorrendo desde o século XVI. Nesse período, com vistas à consolidação de Portugal como metrópole da colônia brasileira, o rei de Portugal delegou a Capitães Donatários a função da distribuição de faixas de terras, ou sesmarias, a homens que se propusessem a protegê-las de invasões estrangeiras. Devido à ausência de ações públicas que revertessem a política de sesmarias ao longo dos anos, a consentração fundiária, bem como a desigualdade social, se consolidou. Assim, ao mesmo tempo que brasileiros mantêm um padrão de vida confortável, outros não têm condição financeira, por exemplo, para cuidar-se adequadamente no período menstrual, o que reduz sua qualidade de vida.

Ademais, vale ressaltar que a desconsideração da menstruação como questão de saúde pública pelo Estado corrobora a continuidade do problema. Isso se constata com o fato de o SUS (Sistema Único de Saúde) não disponibilizar gratuitamente os utensílios de higiene pessoal à parcela da população com útero que não pode comprar absorventes ou coletores menstruais, por exemplo. Dessa forma, grande parte delas têm a sua rotina interrompida durante o período de menstruação, visto que este é um impecílio ao cumprimento de funções cotidianas, como ir à escola,  o que, a longo prazo, acarreta problemas mais graves, como o baixo desempenho escolar.

Faz-se necessária, pois, com o intuito de atenuar esse quadro, a ação do governo federal, por intermédio do Ministério da Fazenda. Esse órgão deve reduzir a desigualdade social no país, por meio da Reforma Agrária de terras devolutas, a qual contará com a capacitação dos beneficiados ao manejo da terra, por exemplo, a fim de que, com a melhora da condição financeira dessas famílias, mais brasileiros possam cuidar-se adequadamente durante o período menstrual. Além disso, o Ministério da Saúde deve mitigar a pobreza menstrual, mediante distribuição de produtos de higiene pessoal nos postos de saúde, para que mais pessoas usufruam do direito à qualidade de vida.