Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 30/08/2021
De acordo com a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado zelar pelo bem-estar social em diferentes esferas, como na saúde: seja ela física ou mental. Entretanto, ao pensar-se na pobreza menstrual existente no Brasil, fica claro que, com relação a esse elemento, isso não tem acontecido pelnamente. Torna-se, pois, preciso destacar que os desafios que impossibilitam o cuidado efetivo com esse aspecto da saúde feminina estão centrados no tabu que ainda ronda a menstruação em sociedade e na falta de medidas governamentais perante esse quadro.
Cabe analisar, a princípio, que um desafio para a manutenção da pobreza menstrual, no Brasil, tem relação com tabus existentes no conjunto social. Sob esse viés, o ciclo menstrual enfrenta, como defendido pelo movimento Feminista, impasses graças a formação machista e misógina, que fazem com que muitos indivíduos - até mesmo algumas mulheres - vejam esse processo natural como sujo e vergonhoso. Nessa perspectiva, prova disso pode ser vista na estigmatização do período menstrual e na culpabilização e justificação de atitudes, tidas como negativas, femininas baseadas na Tensão pré-menstrual (TPM). Assim, esse fator auxilia na manutenção da pobreza menstrual ao criar barreiras que inferiorizam e retiram a relevância do cuidado com as questões menstruais.
Outrossim, as carências de elementos vinculados a menstruação também ocorrem devido à lacunas por parte do governo. Nessa ótica, pode-se destacar que, indo de encontro a Carta Magna, não existem projetos efetivos do Estado que garantam a disponibilização gratuita de absorventes, coletores e remédios em postos de saúde e, até mesmo, dentro de instituições públicas, como as escolas e penitenciárias, na maioria dos estados brasileiros. Nesse contexto, o impacto desse afastamento governamental justifica-se visto que, muitas vezes, o custo de tais aparatos não se equadra na realidade de poder de compra de muitas mulheres. Isso explica-se tendo visto as disparidades socioeconomicas elevadas em terriório nacional e comprovadas por dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios que mostram que cerca de 12% da população vive na linha de pobreza extrema.
Depreende-se, portanto, tendo em vista os tabus e a falta de amparo estatal, que o governo federal, em parceria com o Ministério da Saúde, crie o projeto “Mestrua com saúde”, com o intuito de ajudar as mulheres em situação de vunerabilidade menstrual ao disolver os desafios atuais. Para tanto, isso pode ser realizado por meio de campanhas em redes de televisão abertas e em redes sociais - em páginas vinculadas ao governo federal - que falem da menstruação e quebrem preceitos errôneos, além da disponibilização gratuita e mensal de absorventes e remédios, em todas as regiões do país, respeitando as necessidades femininas em cada local.