Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 27/08/2021
A menstruação, de acordo com o médico brasileiro Drauzio Varella, é um processo que geralmente cada mulher passa uma vez ao mês e é caracterizado pela descamação de um tecido que reveste o útero, quando não há fecundação do óvulo. Entretanto, esse fator biológico no país enfrenta desafios, posto que muitas cidadãs não possuem acesso a equipamentos de higiene para esse período, o que é definido como pobreza menstrual. Nesse sentido, alguns desses empecilhos que colaboram com esse fato são, tanto o tabu relacionado ao ciclo menstrual quanto a falta de políticas públicas específicas para as pessoas do sexo feminino.
Em primeiro lugar, no Brasil, segundo o filósofo brasileiro Leandro Karnal, há uma predominância de atitudes machistas que inferiorizam características femininas. Nessa perspectiva, a menstruação é um desses fatores menosprezados pelo machismo no cenário nacional, visto que esse pensamento classifica o ciclo menstrual como algo que não deve ser debatido socialmente. Por conseguinte, essas ideias que definem o período menstrual como um tabu, são um empecilho que colaboram com a pobreza desse processo biológico no país, e que devem ser combatidas, dado que promovem uma menor discussão do assunto na sociedade, a qual carece de apoio às mulheres a respeito do processo menstrual.
Ademais, o teórico político britânico Thomas Hobbes acreditava que é dever do estado garantir direitos básicos aos cidadãos. No entanto, o Brasil não garante um direito, que é reconhecido pela Organização das Nações Unidas, as cidadãs nacionais, o qual é a distribuição de equipamentos para a higiene menstrual, pois não há políticas públicas para esse fim no cenário nacional. Consequentemente, esse fato fomenta a pobreza menstrual existente no país, porque muitas mulheres não possuem condições financeiras de bancar a compra de certos produtos que deveriam ser direitos, como os absorventes, já que há uma grande desigualdade social na nação Brasileira.
Portanto, a fim de combater os desafios relacionados à pobreza menstrual no país, deve o Ministério da Saúde, em parceria com a Secretaria Especial de Comunicação Social, criar publicidades, em meio digital e analógico, que conscientize a população sobre a menstruação, e que ensine que essa não deve ser vista por um viés machista. Além do mais, deve o mesmo Ministério, em parceria com o poder Legislativo brasileiro, criar um programa de distribuição de absorventes no Brasil. Logo, se tais ações forem realizadas, o déficit relacionado ao ciclo menstrual será reduzido, porque o tabu relacionado a esse processo será reduzido, e o acesso a equipamentos de higiene menstrual será democrático.