Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 06/09/2021

De acordo com a Constituição federal, é dever do Estado garantir a saúde dos seus cidadãos. Entretanto, ao analisar a situação de diversas mulheres que sofrem com a questão da pobreza menstrual, infere-se que esse direito é constatado apenas no papel. Nesse sentido, vale ressaltar as principais causas dessa adversidade: a negligência do governo e o descaso da mídia.

A princípio, cabe avaliar o descuido do Estado no que se refere à questão da pobreza menstrual. Segundo dados do site Senado, muitas pessoas com útero utilizam folhas de jornal como absorvente no período menstrual, devido a falta de dinheiro para comprar os itens ideais, ocasionados pela desigualdade social. Esse cenário angustiante poderia ser mitigado se o governo fornecesse mensalmente de forma gratuita, em postos de saúde, cestas básicas com produtos de higiene menstrual. No entanto, infelizmente, essa não é uma realidade. Prova disso são pesquisas feitas pela CNN Brasil, a qual mostra que cerca de 4 milhões de mulheres não têm acesso aos itens sanitários mencionados.

Além disso, vale destacar o descaso midiático no que tange a problemática. Conforme o sociólogo Pierre Bourdieu: “aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertido em instrumento de opressão simbólica". Nesse sentido, a mídia deveria promover eventos em grandes programas televisivos, por exemplo, para arrecadar itens de higiene menstrual que serão destinados à mulheres em situação financeira precária, como absorventes, calcinhas e lenços umedecidos. No entanto, devido a uma postura capitalista, grandes empresas emissoras de televisão e rádio preferem transmitir programas que dão mais audiência e, por conseguinte, mais lucro, como fofocas e notícias sensacionalistas.

Diante dos argumentos apresentados, medidas devem ser tomadas. Logo, o Ministério da Saúde deve fornecer itens higiênicos os quais as mulheres utilizam durante o período menstrual, por meio de postos de saúde ou de pontos estrategicamente colocados para que esses itens possam ser apanhados pelo público alvo, a fim de que todos os indivíduos que menstruam possam ter o seu direito à saúde garantido como foi previsto na Carta Magna.