Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 31/08/2021
A Organização das Nações Unidas integrou à lista de direitos humanos o acesso à higiene menstrual em 2014. No entanto, no contexto brasileiro de desigualdade social e ausência de políticas governamentais é nítida a inacessibilidade do direito à parte da população. Deste modo, faz-se necessária a reflexão acerca dos desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil.
Em primeiro plano, deve ser entendido que, em decorrência da crise econômica, muitas mulheres e homens trans não possuem maneiras de realizar a limpeza íntima adequada em suas casas. Nesse viés, o aumento de desemprego e baixos salários culminam em muitas pessoas sem dinheiro e, consequentemente, que não conseguem custear itens essenciais como sabonetes, absorventes, calcinhas absorvedoras e coletores e investirem em infraestrutura para tal.
Ademais, como agravante, o Estado não toma medidas efetivas nas instituições de ensino e no Sistema Único de Saúde, conforme denunciado por Hillary Gomes, uma estudante que redigiu novas propostas legislativas para a problemática. Nessa lógica, há a falta de um ensino, que explique a importância da higiene menstrual e maneiras para realizá-la, para os mais jovens, prevenindo diversas infecções. Além disso, Hillary pontuou a ausência de distribuição gratuita nos postos de saúde dos produtos supracitados, impedindo o acesso para aqueles que não possuam condições, obrigando-os a procurarem opções mais baratas e perigosas como utilizar panos sujos, folhas de árvore e papéis velhos, se expondo a demasiados riscos.
Portanto, pode-se concluir a desigualdade social e ineficiência estatal como principais agentes na pobreza menstrual. Logo, faz-se indispensável que haja um investimento do Governo Federal de 12 milhões de reais destinados à distribuição de produtos para higiene menstrual nos postos de saúde por meio de um planejamento pelo SUS que auxilie os menos favorecidos, possibilitando o acesso ao direito previsto pela ONU.