Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 29/08/2021
´´Carrie- A Estranha´´ é um filme de terror que alude aos comportamentos anormais e místicos de uma adolescente no colegial. Com isso, em uma cena, Carrie sofre zombarias dos jovens por menstruar e não saber lidar com tal situação, esse acontecimento foi o gatilho para a vingança da garota no final da trama. Logo, respeitante ao universo cinematográfico, o combate à pobreza menstrual no Brasil ainda é uma realidade, pois dois fatos influenciam isso: o desconhecimento sobre o corpo e a falta de acesso aos meios de higiene íntima.
A princípio, a ignorância envolta sobre os cuidados do corpo e o seu funcionamento oportunizam a pobreza menstrual em muitas comunidades brasileiras. Tal acepção comunga com a obra ´´Homem Vitruviano´´, do pintor Leonardo da Vinci, que retrata a anatomia e as descobertas fisiológicas sobre o corpo humano, uma marco do Renascimento no mundo. Nesse viés, o desconhecimento sobre a etapa menstrual no ciclo reprodutivo feminino reproduz episódios de vergonha e constrangimento para muitas garotas, que não sabem lidar com tal acontecimento e se isolam de seus locais de convívio. Sobre isso, a falta de conhecimentos práticos à cerca da higiene feminina é o ápice desse problema, posto que muitas jovens em períodos menstruais usam meios inacessíveis e impuros para a limpeza íntima. Por consequência, as vítimas são relegadas ao sofrimento por desconhecer o próprio organismo.
Outrossim, o inacesso aos meios de higiene íntima sintoniza com a pobreza menstrual no Brasil. Tal realidade dialoga com o termo ´´Homo Sacer´´, do filósofo Giorgio Agamben, que se refere a sacralidade das pessoas ao acessarem seus direitos básicos. Nesse contexto, a dificuldade em distribuir absorventes e tampões reduz o caráter sacro das mulheres, pois significa a omissão de um direito básico: os meios de limpeza pessoal. Em vista disso, a falta de acesso à água, roupas íntimas e produtos higiênicos é uma realidade frequente no país, e isso explica a taxa de evasão feminina nas escolas e em outros ambientes públicos, uma realidade existente graças a ausência de meios de higiene nesses espaços. Desse modo, o acesso oportunizará qualidade de vida às mulheres.
Portanto, compete aos agentes sociais tratar a pobreza menstrual no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação deve publicitar cursos para professores e alunos, com a presença de aulas sobre como lidar com os períodos menstruais, por meios das mídias, pois contemplará o conhecimento, a fim de harmonizar esse quadro. Em referência as prefeituras locais, propõe-se a projeção de estabelecimentos que distribuam produtos de higiente íntima, mediante verbas estatais, posto que acessibilizarão o básico, com fins na melhor qualidade de vida. Sem isso, Carrie continuará sendo um exemplo para muitas garotas, vítimas do desconhecimento e da falta de acesso ao mínimo para limpeza pessoal.