Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 05/09/2021

A constituição Federal de 1988 -documento júridico mais importante do país- prevê em seu artigo 6°, o direito a saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a pobreza menstrual no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a pobreza menstrual. Nesse sentido, tal problema vem permeando na sociedade e culminando em uma série de adversidades, principalmente na parcela mais pobre do Brasil, tais como: milhares de mulheres sem acesso ao item básico para passarem por esse período mensal, o absovente, além disso a falta de acesso à itens de higiene e cuidado pessoal. Desse modo, é facilitado o aumento de problemas de saúde e infecções, colocando em risco a vida de muitas mulheres. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que as cidadãs desfrutem de seus direitos indispensáveis,como a saude.

Ademais, é fundamental apontar o tabu acerca da menstruação como impulsionador da pobreza menstrual no Brasil. É necessário pontuar que, este problema não é causado apenas pelo não acesso aos itens básicos de higiene, mas também, por certo preconceito e, até mesmo, vergonha de se falar sobre o assunto, principalmente, com meninas mais jovens. Diante de tal exposto, é notório que esse problema gera, desinformações e repúdio sobre a menstruação, constrangimentos de várias jovens e, também, de mulheres adultas que desde cedo são ensinadas a não falar e comentar sobre, sendo reprimidas à respeito disso e levadas a praticar esse mesmo hábito com suas futuras filhas. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater os agentes da pobreza menstrual. Para isso é imprescindível que escolas e instituições educacionais, juntamente o ministério da saúde, promovam campanhas de conscientização e palestras, que visem debater abertamente para meninos e meninas sobre o ciclo menstrual, discutindo, principalmente, suas características e importância. Tais ações, promoveriam mais respeito e menos vergonha sobre o período de maior cuidado, na saúde, de uma jovem. Outrossim, o ministério da saúde e o governo federal, devem investir e auxiliar na distribuição de absorventes e outros itens de cuidado pessoal gratuitamente em postos de saúde e outros pontos de acesso, para mulheres de regiões mais pobres. Além disso, promover melhorias na infraestrutura dessas regiões, garantindo o acesso ao saneamento básico e a saúde.