Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 28/08/2021

De acordo com ativista política Malala Yousafzai, uma sociedade não será bem-sucedida enquanto existirem mulheres privadas de direitos fundamentais. À luz dessa perpectiva, entende-se que o Brasil vai de encontro ao desenvolvimento, dada a carência de combate à pobreza menstrual no cenário nacional. Para entender a questão e, assim, mitigar a problemática, vale analisar a desinformação e a negligência estatal.

Inicialmente, a falta de conhecimento representa um empecilho para a segurança menstrual de mulheres em situações de vulnerabilidade. Nesse panorama, à medida que pouco se discute no meio social acerca da importância de assegurar produtos de higiene básicos durante a menstruação, figuras femininas que não tem condições financeiras de arcar com essa ‘despesa’ ficam à mercê de dificuldades. Segundo pesquisas recentes feitas pela empresa ‘Always’, cerca de 25% das meninas já deixaram de frequentar a escola em virtude de não ter absorvente durante o ciclo ovariano. Logo, observa-se que a insatisfatória percepção civil em torno do assunto compromete o bem-estar de inúmeras brasileiras.

Ademais, o insuficiente amparo governamental assevera ainda mais a caótica situação. Conforme o escritor Gilberto Dimensteins, na obra ‘Cidadão de Papel’, os órgãos públicos são falhos, haja vista que não conseguem cumprir o que prevê a Constituição Federal. Prova disso é o artigo 6 da Carta Magna garantir, na teoria, o direito de uma vida plena a todos os cidadãos e ainda haver, na vida real, mulheres sem as mínimas condições de passar o período da menorreia com tranquilidade. Portanto, inação de entidades mor é um desrespeito potencializador do problema.

Em suma, é mister que medidas sejam tomadas para o enfrentamento do cenário atual. Para tanto, o Ministério da Saúde, por meio de recursos cedidos pela União, deve fornecer, de maneira gratuita, para hospitais, postos de saúde e escolas, artigos como absorventes e remédio para cólica. Com isso, o Estado cumprirá seu papel, auxiliando aquelas que precisam. Outrossim, o Brasil, perante Malala, será desenvolvido.