Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 28/08/2021

Dignidade Íntima

O livro de Nana Queiroz, “Presos que menstruam”, discorre sobre a vida de detentas que, pela falta de acesso a absorventes, precisam recorrer a miolos de pães e restos de jornais para servirem como protetores higiênicos. Em paralelo, a realidade fora das celas não é tão distante, uma vez que, para cidadãos de baixa renda, produtos básicos tornam-se itens de luxo. Por conseguinte, delibera-se acerca da problemática pobreza menstrual no Brasil, suas origens e uma possível solução a esse desafio.

Em primeira análise, é mister a compreensão de que a disparidade econômica é uma das principais fomentadoras da carência menstrual. Como base para a tese, cita-se uma reportagem feita pelo programa Fantástico, o qual entrevistou diversas meninas que afirmaram faltar em dias de aulas, pois não tinham dinheiro sufiente para comprar protetores para seus ciclos. Desse modo, é fundamental assertar que vulnerabilidade social não deve interferir nas oportunidades da população.

Ademais, é imperativo ressaltar que o descaso governamental em relação a esse dilema agrava-o expressivamente. Para exemplo, além da obra “Presos que menstruam”, cita-se a ausência de disponibilização desses recursos gratuitamente em postos de saúde, fato incoerente, uma vez que existe doação de camisinhas para homens nesses locais. Consequentemente, a negligência do Estado é clara e inaceitável.

Em suma, a insegurança financeira, conjuntamente à negligência federal, são empecilhos que devem ser mitigados. Portanto, é obrigação do Governo Federal promover a distribuição gratuita de absorventes em postos de saúde, escolas públicas e presídios. Tal ação deve ser realizada por meio de investimentos do cofre público a fim de promover à toda população com útero, dignidade íntima.