Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 28/08/2021
A pobreza menstrual, que se configura como a falta de acesso a itens de higiene, apoio e informação sobre a menstruação, tornou-se um problema de saúde pública no Brasil. Haja vista que milhões de pessoas que menstruam, processo natural de descamação do endométrio quando não há fecundação, enfrentam dificuldades para lidar com sua saúde durante esse período. Por isso, é de suma importância combater os desafios que perpetuam essa problemática no país, tais como a negligência governamental e o tabu sobre o tema.
Sob esse viés, é possível afirmar que o Estado falha em garantir o direito à saúde para a parcela da população que menstrua, dessa forma fomentando a pobreza menstrual. Dado que segundo a BBC Brasil, mais de 4 milhões de meninas brasileiras não têm acesso a itens como absorventes e coletores menstruais nas escolas. Desse modo, mensalmente, essas garotas por não conseguirem acessar esses itens de higiene acabam colocando sua saúde ginecológica em risco ao utilizarem de jornais, panos e folhas para conterem a hemorragia. Logo, é evidente que o desamparo governamental mostra-se um grande desafio para o combate da pobreza menstrual no Brasil.
Ademais, o grande tabu em relação à menstruação, por causa dos aspectos culturais do país, também mostra-se um desafio para a resolução do problema. Uma vez que esse processo biológico já foi intitulado como uma punição divina, pelo cristianismo. Assim as pessoas que menstruam não recebem o apoio e a informação necessária da sociedade, em razão do preconceito enraizado. Desse modo, há um grande entrave em estabelecer discussões sobre essa temática durante os Processos de Socialização dos indivíduos. Por conseguinte, essa questão não é vista com um problema de saúde pública que precisa ser enfrentado e contribui para a perpetuação da pobreza menstrual no Brasil.
Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas para amenizar essa problemática. Sendo assim, cabe ao Estado, por meio do poder legislativo, criar leis que tornem a distribuição de absorventes e coletores menstruais pelo SUS, em todo território brasileiro, obrigatória. Além disso, é valioso que o Ministério da Educação implemente no plano nacional de educação o debate a respeito da menstruação desde o ensino fundamental, para que esse processo biológico seja visto, por todos, como mais uma necessidade fisiológica e não mais com um tabu. Dessa forma, atenuando a pobreza menstrual, por meio do combate à falta de itens de higiene, apoio e informação sobre o tema na sociedade brasileira.