Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil
Enviada em 07/10/2021
A pobreza menstrual se caracteriza como a dificuldade de acesso aos produtos de higiene e de infraestrutura sanitária adequada. Segundo o movimento Girl Up, 25% das adolescentes não têm acesso aos absorventes e necessitam utilizar substitutos, muitas vezes agressivos à saúde. Essa conjuntura tem como motivadora a falta de políticas governamentais e a escassa abordagem sobre o tema.
Nesse contexto, é válido ressaltar que a displicência estatal corrobora com esse cenário. De acordo com a Constituição Cidadã, promulgada em 1988, todo cidadão brasileiro tem direito à higiene. No entanto, segundo a CNN, muitas meninas, além de não terem acesso aos itens de higiene pessoal, como absorventes, não possuem banheiro ou chuveiro em casa e ficam privadas de usufruírem desse direito constitucional. Ademais, essa situação é responsável por promover a evasão escolar de parte das adolescentes durante o período menstrual. Dessa maneira, é notório o quanto essa má atuação governamental é prejudicial e evidencia a situação de subcidadania que diversos brasileiros experimentam.
Outrossim, consoante ao pensamento do filósofo Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Sob essa ótica, percebe-se a importância da abordagem do tema nas escolas, uma vez que a falta de conhecimento sobre o assunto fragiliza o combate à pobreza menstrual e a transforma em tabu. Além disso, é importante que as escolas ofereçam itens de higiene pessoal às meninas e infraestrutura sanitária adequada. Dessa forma, as escolas auxiliarão inúmeros cidadãos a terem acesso aos direitos básicos.
Fica evidente, portanto, o quanto a pobreza menstrual é uma mazela que precisa ser vencida. Assim, o governo federal deve, por meio de verbas oriundas do Tesouro Nacional, e em parceria com os espaços públicos, como escolas e postos de saúde, fornecer kits de higiene- contendo absorventes, calcinhas absorventes ou coletores menstruais- ás mulheres que não possuem condições financeiras de comprar, a fim de garantir que todas as pessoas que menstruam sejam contempladas com condições básicas de higiene. Dessarte, os brasileiros verão o direito garantido na Constituição como uma realidade próxima.